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Rodrigo Constantino

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Kirchner diz que Argentina está melhor hoje que há dez anos. Que tal comparar com um século atrás?

  • PorRodrigo Constantino
  • 15/09/2013 13:53
Kirchner diz que Argentina está melhor hoje que há dez anos. Que tal comparar com um século atrás?
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O populismo de Cristina Kirchner é de fazer inveja ao dos petistas. Em sua primeira entrevista depois de quatro anos, disse que sua grande arma política são seus “feitos” e que os argentinos vivem melhor agora do que há dez anos.

“O que aconteceu em 2003 [ano em que Néstor Kirchner foi eleito] que você não podia consumir ou comprar um carro? Você era a mesma pessoa, com as mesmas capacidades. O que mudou foi o país”, afirmou. E completou: “Alguns querem retomar a Argentina do passado porque a mão de obra era mais barata.”

Bom, se voltar ao passado significar regressar um século no tempo, então creio que todos os argentinos gostariam mesmo. E com razão!

O período entre 1860 e 1930 compreendeu os anos dourados da Argentina. Milhões de imigrantes oriundos do sul da Europa rumaram para o país, e Buenos Aires transformou-se numa gigantesca metrópole, assim como capital cultural da América hispânica.

O foco estava na exportação, e a Argentina era o celeiro do mundo. O valor total das exportações se multiplicou mais de 13 vezes entre 1865 e 1914. Os investimentos britânicos foram especialmente importantes. O padrão de vida do argentino estava entre os melhores do mundo, e uma próspera classe média surgiu. Onassis fez sua fortuna com base na prosperidade do país.

Mas nem tudo que reluz é ouro, e como Gregor Samsa, na obra de Kafka, a Argentina foi dormir bem, mas acordou um inseto feioso, fruto de uma metamorfose. A burocracia estatal no país crescia rapidamente, tendo mais que triplicado o número de funcionários entre 1900 e 1929. O surgimento de uma retória nacionalista exigia a intervenção política contra a competição de produtos importados.

A guerra mundial primeiro, e a crise de 29 depois, geraram enormes dificuldades para o país, dependente da exportação de seus recursos naturais. Foram introduzidas tarifas protecionistas, que foram sucessivamente elevadas. A Argentina encontrava-se muito distante de ser um paraíso do livre comércio, como alguns acreditavam. O controle da máquina política tornou-se o elemento-chave para o sucesso ou fracasso dos negócios, incitando a formação de grupos de interesse na luta política, suplantando os mecanismos econômicos da competição.

Após o golpe de 1943, o intervencionismo estatal rapidamente se expandiu, chegando ao auge durante a presidência do populista Perón, de 1946 a 1955.

Perón era inspirado em Mussolini, e buscou inicialmente apoio nas bases sindicais. A proteção tarifária contra a importação de artigos de consumo foi elevada a níveis sem precedentes, e quotas também foram introduzidas. O coronel baixou grande número de decretos conferindo vastos benefícios para os trabalhadores.

A longo prazo, estas e outras medidas demagógicas de Perón e sua esposa, Eva, lastrearam o declínio espetacular da Argentina como nação exportadora, e lançaram a nação no caos hiperinflacionário. A indústria de base estava totalmente sucateada, sem condições de competir globalmente.

Algumas empresas foram nacionalizadas, e outras foram criadas pelo setor público, gerando déficits estratosféricos, que somaram algo como US$ 50 bilhões entre 1965 e 1987. Um culto à personalidade emergiu, como em ditaduras. Foi posta em marcha uma “peronização” do estado argentino, com opositores sendo perseguidos.

Uma nova Constituição foi adotada em 1949, e a doutrina social do “justicialismo”, derivado de “justiça social”, tornou-se o fundamento ideológico da nação. As despesas públicas explodiram, mais que dobrando em relação à renda nacional. A corrupção e a briga por privilégios tomaram proporções alarmantes, por conta do modelo estatal. A conseqüência disso tudo foi, logicamente, a aceleração brutal da inflação.

Desde então a Argentina nunca mais seria a mesma. Houve um risco de guerra civil, e após a ameaça da marinha de bombardear o palácio presidencial, Perón renunciou, em 1955, deixando o país. Entretanto, o peronismo lá ficou. O papel asfixiante do estado estaria sempre pesando sobre os ombros do povo, e a competitividade das empresas havia desaparecido.

Entre 1958 e 1968, as exportações argentinas cresceram menos de 1% anualmente, enquanto o comércio mundial cresceu 7,8% por ano, no mesmo período. O neomercantilismo afundou de vez aquela que já foi a mais próspera nação da região.

O casal K foi apenas o herdeiro político dessa mentalidade peronista, que vem destroçando o país há décadas. O tango argentino é a prova de que um povo que foi rico e até culto não está imune ao populismo demagógico. A Argentina de hoje convive com inflação fora de controle, miséria crescente, desesperança e autoritarismo. É um país mais próximo da Venezuela que do Chile.

Uma triste história, sem dúvida. E, para coroar tanta desgraça, os argentinos decentes ainda precisam conviver com esses arroubos eleitoreiros da presidente, enaltecendo o “sucesso” de seu governo. Pobre Argentina… Que o Brasil não vá pelo mesmo caminho!

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