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Meu ex-professor da PUC, Rogério Werneck, aponta em seu artigo de hoje no GLOBO que o governo vem insistindo em um modelo equivocado, sem aprender com erros passados. Como sabemos, errar é humano, mas insistir no erro é burrice. Diz o economista:

Em vez de criar condições adequadas para atrair investimento estrangeiro efetivo para o setor de infraestrutura, o governo insiste em mais do mesmo: um arranjo em que o próprio Tesouro deverá financiar — a juros subsidiados, com recursos advindos de emissão de dívida pública e repassados ao BNDES — 70% do programa de investimento que será exigido das empresas que ganharem as concessões de rodovias.

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Trata-se de aposta tardia e melancólica na sobrevida do desgastado modelo adotado, ainda no governo Lula, nas licitações das usinas hidrelétricas do Sul da Amazônia. Sem poder contar com licitações bem concebidas e um ambiente de investimento que engendre tarifas módicas de forma natural, o governo tenta mais uma vez assegurar modicidade tarifária na marra, despejando sobre as concessões todo o dinheiro público que se fizer necessário. E, como bem ilustra o fiasco da licitação da BR-262, constata agora que, mesmo assim, pode não conseguir atrair investidores.

[…]

Continua faltando ao Planalto percepção mais clara da seriedade da restrição fiscal com que se debate a economia brasileira. Os três níveis de governo extraem da economia 37% do PIB em tributos, mal conseguem investir 3% do PIB, continuam com gastos correntes crescendo bem mais rápido que o PIB e com endividamento em ascensão, já da ordem de 60% do PIB. Nesse quadro, salta aos olhos que a insistência numa estratégia de crescimento econômico que atribui ao Tesouro o ônus de financiar grande parte do investimento privado está fadada ao insucesso. O mesmo insucesso que terá quem tentar se suspender no ar pelos cordões dos próprios sapatos.

É isso. O governo parece ainda não ter compreendido que esse excessivo intervencionismo na economia acaba quebrando todos os termômetros do mercado, distorcendo incentivos e afugentando investidores. A minha opinião é que muitos da equipe econômica realmente ficam perplexos com a reação do mercado, pois, na cabeça deles, fazem tudo para atrair os investidores, concedendo todo tipo de vantagem.

Remete-nos ao famoso episódio que teria dado origem ao termo laissez-faire, na França mercantilista de Luís XIV. Seu poderoso ministro Jean-Baptiste Colbert teria se reunido com comerciantes e perguntado o que mais o governo poderia fazer para ajudá-los, no que um deles, Legendre, teria respondido: “Nos deixe fazer!”

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Muito ajuda quem não atrapalha. Essa frase deveria ser colada na geladeira e no espelho do banheiro de cada membro da equipe econômica, incluindo a chefe deles também. O governo acha que pode beneficiar o setor de infraestrutura se metendo em cada detalhe, mas isso só atrapalha. Saiam da frente! Laissez-faire!