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Quando meus colunistas preferidos recomendam um livro, não penso duas vezes: compro. É a melhor forma de filtro que conheço. E há opções demais disponíveis no mercado. Algum filtro deve haver.

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Aproveito para agradecer ao filósofo Pondé por recomendar Theodore Dalrymple em suas colunas. Obrigado, Pondé. Tornei-me fã dele!

Hoje, João Pereira Coutinho, na Ilustrada da Folha, tece grandes elogios ao livro de Silvia Bittencourt, A cozinha venenosa. Nem pestanejei: livro adquirido. Se Coutinho gostou tanto, sem dúvida algum valor ele irá agregar. Diz o português:

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O livro de Silvia Bittencourt consegue essa rara proeza de revisitar uma história conhecida pelo ângulo particular de um jornal. E, ao fazê-lo, consegue também mostrar duas verdades antigas que às vezes precisam de repetição contemporânea.

A primeira é que a função do jornalismo não é servir ao poder; é vigiá-lo e, perante espetáculos de barbárie, denunciá-los sem tréguas.

A segunda é que talvez o irlandês Edmund Burke tivesse razão quando afirmava que o mal só triunfa quando os homens de bem nada fazem.

Em 2013, é fácil atropelar Hitler em filmes de TV. Infelizmente, os alemães não o fizeram nos anos decisivos em que o “Münchener Post” pregava no deserto.

Pregar no deserto. Eis algo que liberais estão acostumados no Brasil. Roberto Campos sempre pregou no deserto. Outros depois. Mas cada vez há mais gente pregando nesse deserto intelectual que é o Brasil. Quem sabe, com o tempo, não se reverta esse quadro lamentável de hipertrofia estatal?

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Concordo também com os dois pontos do autor. A imprensa deve, acima de tudo, vigiar governos. Nada mais execrável do que imprensa chapa-branca. E o alerta de Burke é sempre atual: se as pessoas de bem nada fizerem, o triunfo do mal será inevitável.

O tema é Alemanha e Hitler. Mas as lições podem e devem ser absorvidas por nós, que vivemos em tempos um tanto sombrios, com vários riscos à democracia. Toda vigilância é pouco. E a passividade daqueles que enxergam as coisas e têm consciência do perigo, inaceitável.