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Jussie Smollett é condenado: o que isso diz sobre a mídia?
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O ator americano Jussie Smollett foi considerado culpado por mentir sobre suposto ataque racista de que teria sido vítima em Chicago. O júri entendeu que Smollett inventou a história toda, que nunca foi crível para começo de conversa, e o promotor espera uma punição exemplar, que pode incluir até prisão, pois o ator não demonstra arrependimento e insistiu em suas mentiras apesar de toda evidência contrária.

Vamos recapitular o caso, que comentei aqui à época. Smollett, que é gay e negro e fazia uma peça chamada "Empire", basicamente só com negros no cast e para negros na audiência, alegou ter sido agredido por dois brancos com boné vermelho (MAGA Hat, do Trump) que teriam usado termos depreciativos para se referir à sua cor e sua inclinação sexual. Teriam colocado um laço em seu pescoço e jogado uma substância química nele. Tudo isso às duas da madrugada no metrô de Chicago durante o inverno.

Não havia imagens da câmara de vídeo no local, mas as que foram divulgadas mostravam Smollett com seu sanduíche do Subway na mão logo após a suposta agressão. Ele teria saído de casa esse horário, aliás, para comer esse sanduíche - pois todos sabemos como é a coisa mais comum do mundo acordar no meio da noite e pegar uma friaca para comer o sonhado sanduba do Subway!

Em casa, ele ligou para a polícia, que chegou em seu apartamento e o encontrou ainda com o laço no pescoço - a segunda coisa mais comum do mundo, você ser agredido e manter a corda no pescoço por horas. A polícia solicitou seu telefone, para acompanhar sua trajetória, mas a suposta vítima se negou a entrega-lo, o que imediatamente acendeu o alerta. É que pelo telefone, Smollett combinava a trama toda com seus dois amigos, contratados para o serviço em busca de holofotes. Os dois eram do Senegal, negros, e foram testemunhas da farsa toda durante o julgamento.

Em suma, um ator negro, bem sucedido, rico, simulou um ataque para bancar a vítima e ganhar destaque na mídia, inventando uma história sem pé nem cabeça desde o começo, e mesmo assim a mídia mergulhou de cabeça, acreditando em tudo, entrevistando o ator - que, atuando de forma medíocre, disse que era fundamental lutar contra o preconceito e que as mentiras prejudicavam as minorias.

Esse caso todo expõe como a imprensa vive de narrativas e parece afoita demais para dar destaque a notícias que se encaixam nessas narrativas, pintando a América como uma nação racista, preconceituosa, perigosíssima para minorias. Com os supostos agressores sendo apoiadores de Trump então, o discurso era irresistível. E nem passou pela cabeça dos jornalistas que um apoiador de Trump certamente jamais saberia quem é Jussie Smollett e o que era o "Empire", para identificá-lo no meio da madrugada num metrô de Chicago! Fora o resto todo, claro. O importante era alimentar a narrativa, nada mais. As minorias precisam ser sempre as vítimas e os homens brancos conservadores os vilões. Nada mais importa.

Eis o que essa gente toda parece esquecer: minorias também mentem. Smollett é um ator negro e gay sim, mas isso não define seu caráter. Jussie Smollett é, acima de tudo, um picareta, um embusteiro, um criminoso oportunista. Seria melhor se os jornalistas colocassem seu trabalho de jornalismo antes de suas ideologias, para averiguar os fatos em vez de impor narrativas furadas ao público.

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