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“Carlos Bolsonaro será ministro no Planalto em governo do irmão Flávio”, diz manchete da coluna de Guilherme Amado. Ninguém confia nesse jornalista, mas seria bom o Flávio Bolsonaro deixar bem claro se seus irmãos terão ou não papel relevante em seu eventual governo. Ele já descartou Eduardo como chanceler numa entrevista recente. Deveria dizer em alto e bom som que Carlos também não teria espaço em sua gestão.
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O conservadorismo é oposto ao tribalismo. A direita valoriza o mérito individual, a trajetória de quem se fez por conta própria, pelo trabalho, não pelos títulos ou sobrenome. Quando deixamos de analisar indivíduos com base nesses princípios básicos, estamos agindo como petistas. Infelizmente, vejo estarrecido muito “conservador” confundir conceitos e achar que sobrenome define, sim, valor político.
Ao menos alguns são mais sinceros e assumem que não são direitistas, mas sim bolsonaristas. Ou seja, eles admitem que querem uma espécie de clã político no país, com base apenas no sobrenome, sem levar em conta os méritos individuais e os valores agregados ao país por cada um. É algo que remete ao velho tribalismo africano, ou então ao detestável nepotismo.
Que fique claro: não é porque tem o sobrenome Bolsonaro que deve ser descartado; mas tampouco deve ser enaltecido somente por esse critério! Isso é o óbvio ululante: cada um deve ser avaliado e julgado com base em seu histórico, em sua capacidade, em como pode contribuir para a nação
Ora, se conservadores e liberais sempre condenaram políticos que empregaram parentes e colocaram como “sucessores” seus filhos, isso deve valer para todos, da esquerda à direita. Se é errado quando Sarney ou Renan Carvalho fazem isso, tem que ser errado quando Bolsonaro faz também. E já temos na política seus quatro filhos, inclusive o mais jovem Jair Renan, além de seu irmão Renato, sua esposa Michelle e sua ex-mulher Rogéria estarem disputando cargos este ano. Só falta a Laurinha, pelo visto!
Nem vou entrar a fundo na questão da coesão dos parentes. Duas postagens esta semana revelam como a casa Bolsonaro segue dividida. Se os próprios irmãos ou seus porta-vozes não seguem um pedido básico de união e paz do Flávio, isso mostra que não respeitam sua liderança, ele que foi o escolhido por Jair Bolsonaro como candidato, e que lidera as pesquisas graças à sua postura moderada e agregadora. “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”, diz a Bíblia (Mateus 12:25).
Que fique claro: não é porque tem o sobrenome Bolsonaro que deve ser descartado; mas tampouco deve ser enaltecido somente por esse critério! Isso é o óbvio ululante: cada um deve ser avaliado e julgado com base em seu histórico, em sua capacidade, em como pode contribuir para a nação. Mas não basta ter um sobrenome para fechar questão e encerrar o debate. Isso é uma mentalidade bastante atrasada e equivocada.
Digo isso pois, por conta da disputa eleitoral, Romeu Zema vem sendo massacrado por bolsonaristas nas redes sociais, inclusive por seus acertos! Uma coisa é criticar o ex-governador por seus erros, como na postura durante a pandemia. Outra, bem diferente, é desqualificar seus méritos, como tem feito José Dirceu e essa ala “eduardista”.
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Zema doou seu salário para a caridade, dispensou inúmeros funcionários para seu atendimento pessoal, morou de aluguel numa casa que pagou do próprio bolso, ia de carro próprio para o trabalho e não empregou um único parente em seu governo. Isso tem que ser elogiado por qualquer um que se diz de direita! Afinal, não queremos políticos usando o estado e os recursos públicos para garantir o “filé mignon” aos seus filhos e parentes em geral. O nepotismo e o patrimonialismo devem ser condenados sempre.
Os grandes ícones da direita, como Reagan e Thatcher, não colocaram seus parentes em seus governos e seus filhos não foram sucessores “naturais” de seus legados políticos. Mesmo Donald Trump, que desconfia de todo mundo, montou uma equipe com base em critérios objetivos e descartou colocar seus filhos em funções de governo. Os nomes cotados para disputarem as próximas eleições são Marco Rubio e JD Vance, não Donald Trump Jr.
Essa turma “eduardista” que vive atacando Nikolas Ferreira ignora justamente isso: o jovem deputado tem luz própria pois tem mérito próprio. Sim, recebeu ajuda de Bolsonaro no começo e é grato por isso. Mas mostrou resultados como deputado, soube se comunicar bem com o eleitor e virou um fenômeno nas redes sociais. Vários que também receberam apoio de Bolsonaro no início não chegaram nesse mesmo lugar. Isso talvez crie muita inveja em quem tem basicamente um sobrenome para mostrar, e nada mais, como no caso de Jair Renan e alguns bajuladores dos irmãos Eduardo e Carlos, de olho em cargos.
Que fique claro: Flávio tem seus méritos e tem conduzido bem sua pré-candidatura, inclusive afirmando que pretende dar continuidade ao governo de seu pai, com uma linha liberal na economia como a de Paulo Guedes. Mas ninguém deveria votar nele – ou em quem quer que seja – apenas pelo sobrenome. Numa república, queremos avaliar o trabalho pessoal de cada um. Ser filho de alguém não define absolutamente nada. Ou o filho do Pelé também foi craque como o pai?
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos









