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Manobra do governo retira Moro e coloca Renan Filho na CCJ às vésperas da sabatina de Messias

Senador ocupava uma das vagas do União Brasil, partido do qual saiu recentemente para se filiar ao PL.
Senador ocupava uma das vagas do União Brasil, partido do qual saiu recentemente para se filiar ao PL. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado; Andressa Anholete/Agência Senado)

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O senador Sergio Moro (PL-PR) revelou que foi retirado da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em uma manobra do governo que colocou no posto o senador Renan Filho (MDB-AL). A vaga pertence ao União Brasil, partido que Moro deixou recentemente. O parlamentar critica o fato de não ter sido consultado e chama a estratégia de "imoral".

A manobra ocorre às vésperas da sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o que deve ocorrer nesta quarta-feira (29), mais de cinco meses após o anúncio e pouco menos de um mês após a formalização da indicação.

Outra substituição foi a de Cid Gomes (PSB-CE), irmão de Ciro Gomes (PSDB), por Ana Paula Lobato (PSB-MA). O conjunto de táticas envolve ainda a saída temporária de Wellington Dias (PT-PI) do cargo de ministro do Desenvolvimento Social, que voltará ao Senado unicamente para votar nesta pauta.

"Tudo bem, é do jogo político, mas reflete a incerteza e a insegurança do governo Lula quanto à aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal ", declarou, em um vídeo divulgado nesta segunda-feira (27).

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O relator da indicação no colegiado, senador Weverton Rocha (PDT-MA), se manifestou favoravelmente. Moro diz que votará contra. Há, porém, outro ex-ministro do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com posicionamento oposto: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é presidente nacional do PP, manifestou apoio ao indicado.

É do mesmo partido o senador Esperidião Amin (SC), também membro do colegiado. Ele tem se posicionado contra a condução ao cargo, contrariando o presidente de sua legenda. Tanto na CCJ quanto no plenário, o voto é secreto, exigindo maioria simples (14 votos, caso não haja nenhuma falta), o que explica trocas de parlamentares do mesmo partido (para evitar eventuais traições).

A oposição conta ainda com o reforço dos senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES), Marcos Rogério (PL-RO), Rogério Marinho (PL-RN) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Os nomes de partidos governistas, porém, como PT, PSB, MDB, PDT e membros do PSD afeitos ao governo somam ao menos 15.

A tônica da oposição na ofensiva contra Messias é o aborto. Como advogado-geral da União, ele deu um parecer contra uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que vedava o método de assistolia fetal. A temática do aborto faz parte do acervo deixado pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso, cuja relatoria ele herdará caso seja aprovada.

Deve pesar ainda no resultado final o momento histórico que vive o Supremo atualmente. Alvo de uma crise de credibilidade considerada por muitos como sem precedentes, a Corte vê grupos de pressão que vão desde a articulação por reformas como o código de ética até a defesa do impeachment dos ministros, sobretudo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

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