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O “editor” supremo e a falta de senso de prioridade de nossos “liberais”
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O presidente do STF Dias Toffoli resolveu comparar a atuação censora da instituição contra as Fake News a de um editor de jornal: “Todo órgão de imprensa tem censura interna. Em que sentido? O seu acionista ou o seu editor, se ele verifica ali uma matéria que ele acha que não deve ir ao ar porque ela não é correta, ela não está devidamente checada, ele diz: ‘Não vai ao ar’.”

Toffoli quer se enxergar como o "editor" do Brasil, das redes sociais. "Quem pensa assim acha que é dono da sociedade e cada um de nós só pode se manifestar se o patrão, no caso o STF, permitir", desabafou Roberto Rachewsky em artigo do Instituto Liberal. E concluiu: "Uma coisa fica evidente nesta manifestação do ministro do STF Dias Toffoli; a ditadura da toga já é fato, e não é acidental."

Em artigo da Gazeta do Povo, Cristina Graeml compara a escalada autoritária do Supremo com a "revolução dos bichos" de Orwell, e chama de absurdo o que está acontecendo no Brasil, com um só ministro do STF impondo censura e ignorando a Constituição. Ela conclui em tom de esperança e resistência: "Por enquanto, no Brasil, os Napoleões e os ministros da Informação ainda não conseguiram amedrontar quem pensa, escreve ou publica. Sigamos firmes na vigilância e na postura crítica."

Todo liberal, todo aquele com um mínimo de apreço pela liberdade, tem a obrigação de combater esse arbítrio censor do Supremo. Não obstante, o que temos visto é assustador: jornalistas e supostos liberais calados, ou pior, aplaudindo a censura, pois o alvo é bolsonarista!

Quando Toffoli fala em "máquina de difamação", isso é música para os ouvidos de quem quer muito acreditar no "gabinete do ódio" e acha que, para derrotar Bolsonaro, vale tudo. Os mais "isentões" conseguem ao menos produzir uma ou outra crítica ao STF, desde que venha em conjunto com ataques igualmente duros ao bolsonarismo. Foi o caso de Pedro Menezes:

Qual o autoritarismo do governo federal, porém? Quais medidas concretas Bolsonaro adotou que sinalizam autoritarismo? Silêncio. Falta no mínimo senso de proporção e de prioridade nessa turma "liberal". O STF vem abusando dessa forma bizarra e eles estão mais preocupados com suposta retórica de apoiador do presidente?

Para Leandro Ruschel, a situação é mais delicada: "É pior do que isso. A falsa ideia de 'retórica autoritária' é utilizada para justificar o autoritarismo real". Concordo em parte. Acho inegável que existe uma ala bolsonarista mais desesperada e, por isso, afoita e afeita a golpismo. Mas mesmo admitindo tal premissa como verdadeira, fica a questão: dar mais peso a isso do que ao abuso autoritário concreto do Supremo é ser muito míope, quiçá cego. Até porque Bolsonaro vai passar, já Toffoli e companhia permanecem por um bom tempo ainda. Meu editor eu simplesmente troquei; não posso fazer o mesmo com Toffoli.

Hoje o alvo é o bolsonarismo, mas amanhã pode ser qualquer um de nós. Não se dar conta disso, ou enxergar a realidade, mas mesmo assim fazer vista grossa para perseguir adversários políticos no presente é sinal de fragilidade de princípios e maquiavelismo indecente.

Mas o povo percebe isso lá fora, e eis o que esses "liberais" ignoram. Aqueles com pretensões políticas descobrirão nas urnas, enquanto os formadores de opinião perdem relevância. Em excelente artigo no Instituto Liberal, Pedro Henrique Alvez usa o conceito de Torre e Praça de Niall Ferguson para expor o abismo crescente entre elite e povo em relação a esses abusos do STF, e conclui que os ministros do Supremo são os melhores cabos eleitorais de Bolsonaro, devendo garantir sua reeleição.

Ele diz: "Tem gente que acredita que Bolsonaro está criando misteriosamente, em algum calabouço de Brasília, uma rede de neonazistas que irá ― em um amanhã eterno ― começar uma limpeza social de negros, gays e mulheres… para!" Mas a elite arrogante prefere dobrar a aposta numa narrativa patética, pois Bolsonaro é "chucro" demais, "tosco" demais. Isso, porém, é considerado ridículo pela turma fora da bolha, pelo seu Tião:

"Os brasileiros comuns ― aqueles que não têm tempo para gourmetizar suas ideias na Folha de São Paulo, nem referenciar seus valores em um doutorado na USP ― não confiam nesse sistema centralizado de normas morais pensadas por homens e mulheres que se arvoram a constituintes da verdade."

Bolsonaro não teria metade da força que ainda tem se o establishment não estivesse agindo de forma tão escancaradamente golpista contra seu governo. É a postura da mídia, do Supremo e de nossos "liberais" que alimenta o bolsonarismo em sua vertente mais radical.

Aquele que tenta se mostrar "imparcial" e alerta para o risco autoritário tanto do STF como do governo é parte do problema, não da solução. Afinal, se alguém se mostrar igualmente preocupado com Estados Unidos e China, saberemos estar diante de um simpatizante do regime chinês. Trump pode ser meio fanfarrão e até populista, mas não é possível comparar seus defeitos com um regime ditatorial nefasto como o chinês.

O relativismo normalmente vem para socorrer os piores e punir os melhores. O mesmo vale para o Brasil de hoje. A democracia corre perigo sim, mas ele não vem do governo federal, e sim do Supremo com apoio da mídia tradicional. Não admitir isso só porque odeia o estilo do presidente é agir como cúmplice dos verdadeiros autoritários.

A prioridade de todo liberal legítimo hoje no Brasil deveria ser derrubar ao menos um ministro do Supremo por meio dos caminhos legais para isso, como o impeachment. Uma campanha com foco definido e escopo limitado se faz necessária. Pressão nos senadores para que levem adiante o impeachment de um deles, talvez Alexandre de Moraes, que se mostrou o mais abusivo dos ministros: eis a meta!

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