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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Segurança pública

O estilo de Bukele contra a bandidolatria ganha apoio de três candidatos à Presidência

A ascensão de Nayib Bukele em El Salvador reacende o debate sobre segurança pública no Brasil e divide a opinião da grande mídia (Foto: EFE/ Javier Aparicio)

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Três candidatos têm mencionado El Salvador como exemplo para a política de segurança pública brasileira: Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema. Flávio chegou a se encontrar com o ministro de Justiça e Segurança Pública de Bukele. A velha imprensa reagiu, claro. O Globo, Folha de SP e Estadão publicaram reportagens ou editoriais contra o estilo Bukele.

O G1, da Globo, comentou sobre o encontro entre Flávio e o ministro: “Sem citar o regime de exceção permanente de El Salvador, onde garantias constitucionais da população foram suprimidas pelo governo Bukele, após aprovação de projeto de sua equipe no Congresso salvadorenho, Flávio Bolsonaro defendeu que o PL e seus aliados façam mais cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado para aprovar mudanças semelhantes na lei brasileira”.

O Estadão, em seu editorial de hoje, fala em “perigoso fetiche” por Bukele: “Democracias liberais, como é o caso do Brasil, podem, em circunstâncias excepcionalíssimas, tolerar restrições temporárias a certas garantias constitucionais. Dito isso, por mais grave que seja, a criminalidade que assola o País não configura esse tipo de exceção. Ao contrário, é exatamente o tipo de problema ordinário para cuja solução o sistema de persecução penal democrático foi concebido. O Estado de Direito por vezes pode ser frustrante, mas não há caminho fora dele que não deságue na barbárie. É isso o que queremos para o Brasil?”

É justamente por conta desse sucesso que tantos candidatos com perfil mais à direita falam de Bukele.

A Folha de SP foi o mais radical deles, e falou em “mito” do modelo Bukele de segurança: “Candidatos precisam propor políticas racionais para a realidade local que respeitem o Estado democrático de Direito. É preciso integrar polícias e incrementar a inteligência investigativa, com cruzamento de dados e recursos tecnológicos, para desmantelar as redes de sustentação do crime organizado, que se espalham por setores legais da economia e pelo poder público”.

É compreensível e legítima a preocupação com excessos do modelo adotado por Bukele, assim como é um debate necessário falar das diferenças entre os dois países. Mas daí a falar em “fetiche” ou “mito” vai uma longa distância, que separa a militância ideológica do jornalismo sério e imparcial. O Estadão está preocupado com a “barbárie” em El Salvador? Pois deveria estar mais preocupado com a barbárie no Brasil, onde um quarto da população vive sob o terror do crime organizado e o presidente se recusa a chamar PCC e CV de grupos terroristas, preferindo afirmar que traficantes são “vítimas dos usuários”.

A Folha quer falar mesmo em mito? Então vamos aos números: em 2016, a taxa de homicídios em El Salvador ultrapassava 80 por cada 100 mil habitantes, uma das maiores do mundo. Em 2022, após medidas drásticas de Bukele, essa taxa foi para menos de 8, uma queda de 90%. No ano seguinte ela já estava em 2,4, e ano passado ela atingiu o impressionante patamar de 1,3 – foram somente 82 homicídios no ano, o mais seguro da história recente do país. 

Ou seja, se por um lado podemos discutir abusos eventuais ou características diferentes dos dois países, que podem dificultar uma simples importação do modelo, por outro lado não se pode negar o sucesso da política de Bukele em El Salvador. Seria negar o óbvio, a realidade, os dados. É justamente por conta desse sucesso que tantos candidatos com perfil mais à direita falam de Bukele: o povo cansou da negligência do estado brasileiro e quer uma linha bem mais dura no combate à criminalidade.

A direção é clara: mais rigor nas punições, fim da impunidade e das regalias dos marginais, menor maioridade penal, mais prisões e o fim dessa cultura esquerdista que trata bandido como vítima da sociedade e o crime como uma questão meramente econômica. A Brasil Paralelo fez um excelente documentário sobre El Salvador, e basta vê-lo para compreender o apelo que o estilo Bukele produz em parcela significativa da população brasileira.

A grande mídia pode detonar o quanto quiser o modelo Bukele, mas o povo reconhece a conquista do presidente de El Salvador: o fim da bandidolatria. 

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