O reino do umbigo
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Por Alex Pipkin, publicado pelo Instituto Liberal

Não é novidade para ninguém que a qualidade das políticas públicas no país é de doer. Literalmente, as sentimos na pele e nos bolsos. Temos um cacoete especial de produzir tais políticas com base em meras crenças e em sentimentos, desprezando-se a genuína ciência e as comprovadas experiências positivas.

Neste sentido, somos uma nação atrasada e estagnada, que não consegue crescer e proporcionar um padrão de vida melhor para seus cidadãos. Seguramente, um dos principais motivos da nossa vanguarda no atraso é a condição de fechamento para o mundo que, como disse, baseia-se em opiniões, em falácias e em efetivos enganos.

Nosso mercado interno já se caracteriza como sendo um “reino do umbigo”, repleto de restrições absurdas e de burocracias que justificam um Estado gigantesco, com subsídios mil que não se apresentam de maneira transparente e distorcem os mercados, com uma legislação tributária labiríntica que torna o ambiente de negócios difícil e custoso, entre outras pérolas. Por aqui ainda não se compreendeu e/ou não se quer enxergar que o mundo, com a fragmentação do processo produtivo em nível global, está formatado em cadeias globais de valor.

Não, não se enganem, mesmo com o alardeado nacionalismo econômico, não haverá “desglobalização” nem retrocesso nas CGV. Nas CGV, empresas e ecossistemas se especializam em P&D, outras em manufatura, umas em montagem, outras em comercialização e em distribuição.

Desse modo, evidente que o Brasil se encontra alijado da realidade produtiva e de distribuição global. Claro que de alguma forma o disfuncional Mercosul representa uma camisa de força que nos impede de avançar na negociação de acordos comerciais com outros países e blocos comerciais, o que impõe às empresas brasileiras uma posição de baixa competitividade.

A atual narrativa é a de que o Brasil quer se abrir para o mundo; no entanto, o principal parceiro, a Argentina, é francamente protecionista. O país vizinho quer o fechamento, sem dúvida, mas tenho minhas dúvidas se as autoridades brasileiras desejam de fato a abertura comercial.

Sem os acordos comerciais, empresas internacionais não investem no país e o ciclo vicioso roda. Sem investimentos e volumes de exportações, não logramos economias de escala, o que torna nossos bens mais caros. Sem o ingresso de fluxos tecnológicos, nossos bens não conseguem agregar inovações, o que é vital para se competir eficientemente. Sem falar na crônica ineficiência da infraestrutura logística e de transporte, que por si só já se constitui em uma barreira ao crescimento interno e aos investimentos estrangeiros.

A justificativa maior para o protecionismo tupiniquim é sempre calçada na mesma falácia do prejuízo às empresas nacionais e a perda de empregos verde-amarelos. Os empresários do compadrio, os lobistas nos diversos segmentos pressionam e os próprios cidadãos caem nesta inequívoca cilada. O protecionismo faz com que empresas brasileiras não competitivas fiquem imunes à competição e se perpetuem artificialmente.

Mesmo aquelas que necessitam importar bens de capital, matérias primas, componentes e produtos acabados o fazem – ou não conseguem fazer – com custos muito mais altos, o que lhes rouba a competitividade e o poder de fogo nas exportações. E os consumidores brasileiros? Que se danem! Que comprem produtos de pior qualidade, à preços mais altos.

Não nos damos conta de que o preço adicional pago por bens domésticos drena o dinheiro dos indivíduos que poderia ser utilizado para a faculdade dos filhos, para uma moradia melhor, para a compra de um veículo, para uma viagem, enfim, o protecionismo corrói a qualidade de vida de uma nação. É lamentável que as pessoas em geral não percebam que o protecionismo acaba forçando os consumidores brasileiros a pagar salários para trabalhadores em indústrias e em empresas não competitivas para que estes permaneçam em seus empregos. Em uma situação de mercado aberto, evidente que esses trabalhadores iriam fluir para indústrias e empresas competitivas com maiores oportunidades e salários.

Verdadeiramente, o protecionismo acarreta uma perda de empregos nacionais. A ignorância econômica, infelizmente cega quanto ao mais básico conceito econômico: os recursos são escassos. Neste país, aparenta que a “ciência” sem ciência sempre triunfa!

No reino do umbigo e do compadrio, imperam há muito tempo equivocadas políticas de substituição de importações, estímulos nacional-desenvolvimentistas, subsídios e aversão ao estrangeiro. Ah, o petróleo, o plástico, o aço… o guaraná, tudo é nosso!

Alguns poderão alegar que é preciso lidar com as falhas de mercado no país. Sim, em casos específicos, o governo deve intervir. Porém, neste reino do umbigo, o que é para ser pontual e temporário, tal como um subsídio, torna-se imutável, beneficiando um grupo privilegiado de empresas, mas ceifando a saúde econômica e social dos consumidores brasileiros.

Bem, esta lógica protecionista tacanha pode ser alterada? Pode sim, mas calma, nós somos o “país do futuro”… que nunca chega.

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