Partido Novo precisa rever estratégia
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Fui, como muitos sabem, um entusiasta do projeto do Partido Novo desde o começo. Fui mais do que isso: participei de reunião "petit-comitê" para ajudar a criar uma espinha dorsal ideológica, reforçando o lado liberal. Antes era um projeto mais "pragmático" de engenheiros voltados para resultados.

Além disso, já disse antes e repito que cheguei ao Novo por vias indiretas: a filha de João Amoedo foi minha estagiária, uma menina muito séria e competente. Conheci o João, gostei da proposta e decidi ajudar. Cheguei até a me filiar por pedido dele, algo que nunca quis fazer - prefiro não ter qualquer filiação partidária.

Desde então, acabei me afastando do Novo, mas continuo observando de fora. Vejo acertos e erros, e desejo sucesso em geral. É um partido com gente preparada, com princípios bons e repleto de boa intenção. A sua pequena bancada de oito deputados federais tem sido ativa na defesa de reformas importantes e demonstrou, até aqui, grande alinhamento com o ministro Paulo Guedes.

Amoedo, porém, passou a subir muito o tom de crítica ao governo federal, em alguns momentos flertando com um estilo "lacrador" até, que pode surtir algum efeito na turma da elite, mas que afasta o povo. Em síntese, fica muito parecido com o velho perfil tucano "isentão", e considero isso um erro grave.

Romeu Zema, governador de Minas Gerais, tem sido um bom gestor e é a vitrine do Novo no Executivo. Era esse o foco inicial do partido, aliás: gestores eficientes e sem muita ideológica entregando resultados. Tema reconhece o apoio do governo federal em conquistas importantes, teve postura equilibrada nessa pandemia, não jogou para a plateia "progressista". Já Amoedo tem só criticado o governo, em alguns casos forçando demais a barra, num modelo Moro-Mandetta.

Considero tal postura um grave erro estratégico. Ao menos compartilhar essa mensagem do seu governador acho que ele deveria fazer:

Tarcísio é um excelente ministro, o grande pavimentador, e um quadro técnico. O Novo, na figura de Amoedo, deveria apontar os méritos do governo também, não só os supostos defeitos. Claro que há espaço para mais de um estilo no partido, e basta comparar as posturas de Marcel van Hattem com as de Amoedo para perceber isso. Também sei que Amoedo, como potencial opositor de Bolsonaro em 2022, tenta "marcar território". Mas pega mal só criticar e sequer ser capaz de compartilhar do reconhecimento do único governador do partido, que tem feito bom trabalho.

Se o Novo quiser ter alguma chance de realmente crescer e fazer a diferença, terá de se aproximar mais do perfil de Marcel van Hattem e Romeu Zema. Caso contrário, será difícil distinguir o "novo" do velho tucanato, sempre muito "neutro" entre esquerda e direita, mas na prática cedendo às pressões esquerdistas. Essa mensagem de Heni Cukier, deputado estadual pelo Novo, mostra bem o risco:

Alguns debates sobre tensão entre liberdade individual e interesse coletivo são legítimos, como constatei no meu texto de ontem sobre o assunto, mas tenho para mim que toda tirania coletivista começa com esse papo de "liberdade coletiva". Espero que o Novo possa solidificar mais as bases liberais dentro do partido, para não ser confundido com um projeto globalista típico dos "progressistas".

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