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A reportagem de Malu Gaspar no O Globo de hoje revela, com precisão de um relógio suíço, o avanço do regime de exceção no país.Às 21h09 do domingo, o TSE confirmou a derrota de Flávio Bolsonaro. Às 21h16 – sete minutos depois – a Polícia Federal lulista assinou digitalmente a representação pedindo a apreensão dos passaportes do senador. Alexandre de Moraes atendeu ainda naquela noite, sem ouvir a PGR. Na manhã seguinte, a intimação foi cumprida na rua, quando Flávio saía da visita ao pai em prisão domiciliar.
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Sete minutos. Esse é o tempo que o aparato levou para transformar resultado eleitoral em medida cautelar. A fundamentação oficial mistura o fato de Flávio ter figurado como “usuário master” numa conta da Alcazar Holdings (empresa ligada a Willer Tomaz, investigado por lavagem via bets) com uma fala do irmão Eduardo, dias antes, dizendo que, se perdesse, Flávio deveria sair do país. Flávio nunca disse isso. A declaração de terceiro virou “risco de fuga” no exato momento em que o resultado saiu.
Quem acha que a perseguição vai diminuir porque Flávio perdeu está enganado. O contrário é verdadeiro. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar contra ele e contra o entorno bolsonarista cai
Pergunte-se: se Flávio tivesse vencido, a mesma PF e o mesmo ministro teriam assinado o pedido às 21h16? A resposta é óbvia e o próprio Flávio a formulou no vídeo: “Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”. Esse é o ponto. A derrota não apenas encerrou a disputa eleitoral; ela abriu a temporada de caça. A imunidade parlamentar de Flávio termina em fevereiro de 2027. Os inquéritos (apostas, Dark Horse, Vorcaro) já estão no STF. Com a vitória de Lula, o incentivo institucional para acelerar, aprofundar e publicizar essas investigações aumenta.
O passaporte foi só o primeiro ato. O recado é claro: o candidato derrotado não tem o mesmo tratamento que o candidato eleito. Nunca teve. A esquerda chama isso de “Estado de Direito”. O que vimos foi o Estado de Direito operando com cronômetro político. Moraes não esperou o dia seguinte. Não consultou a PGR. Não aguardou qualquer novo indício. O gatilho foi o placar das urnas.
Quando o sistema judicial e policial reage em sete minutos à derrota de um adversário, não estamos mais falando de investigação independente. Estamos falando de instrumento de poder. Quem acha que a perseguição vai diminuir porque Flávio perdeu está enganado. O contrário é verdadeiro. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar contra ele e contra o entorno bolsonarista cai. Os mesmos atores que durante a campanha precisavam de alguma contenção agora têm carta branca.
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O passaporte apreendido é o aviso. O que vem depois – quebra de sigilos, novas operações, pressão sobre aliados, tentativa de criminalizar oposição – já está no script. A reportagem da Malu Gaspar não é denúncia de perseguição. É apenas o registro frio do horário. E o horário, por si só, já diz tudo.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança resumiu bem: “Conhecendo a natureza da besta, antes que o mandato do centrão mais corrupto da história do Brasil termine, a ordem deverá ser para acelerar a agenda radical do governo e a perseguição política da oposição pelo judiciário”. A caça às bruxas já era enorme no país. Após a estranha vitória de Lula, o regime tentará consolidar a tirania e criminalizar qualquer oposição. Foi assim na Venezuela. Será assim no Brasil também. Salve-se quem puder!
PS: Boatos circulam de que Flávio teria fugido para a Argentina para, de lá, viajar aos Estados Unidos. Não se sabe, ainda, se há verdade nisso. Mas cabe a questão: se você fosse o candidato derrotado, após clara ameaça do próprio Lula no debate da Globo, você ficaria para enfrentar um aparato de “Justiça” que condenou a Débora do batom a 14 anos de prisão por sujar uma estátua?
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




