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Muita gente tentou analisar o vídeo bombástico de Michelle Bolsonaro contra o Flávio com base em mensagens ocultas. Até sinais nos objetos decorativos foram avaliados, como na época em que a turma do “tic-tac” queria enxergar recados em copo verde ou caneta Bic nas lives de Jair Bolsonaro. Para alguns jornalistas, Jair estaria rifando o filho. Outros querem ver traição e calculismo de uma madrasta ambiciosa. Mas há, talvez, uma explicação mais comezinha e menos conspiratória: o lado humano.
Quem apontou para essa possibilidade foi a juíza Ludmila Lins Grilo, ela mesma alvo de ataques coordenados de bolsonaristas. “Todo cálculo político que despreza o elemento humano é falho. Quem vive a política 24h por dia já deveria conhecer o conceito de tipping point emocional — o momento em que o custo de suportar supera o custo de reagir”, escreveu Ludmila.
“O bom político deveria tratar como axioma o seguinte: toda pessoa tem um ponto de ruptura. Você nunca sabe com precisão onde ele está, e por isso nunca deve procurá-lo. Esse político deveria ser capaz de prever com alguma destreza reações humanas simples, como as da pessoa que chegou ao limite do suportável e cuja explosão poderia afetá-lo”, acrescentou.
Ela elabora: “Raciocinar apenas na clave política, ignorando o fator humano, emocional e intangível, é esquecer uma variável imprescindível da equação. Um político hábil nunca olvidaria o elemento imaterial envolvido”. Ludmila menciona casos históricos, como o de Pedro Collor e Nilcéa Pitta, em que entreveros familiares, envolvendo sentimentos de humilhação, levaram à queda política de quem os causou.
O sujeito provoca o outro até seu limite, e quando ele finalmente decide reagir, isso é “prova” de que ele é nervosinho
Ludmila conclui: “Muitos poderiam aprender com a história e evitar os mesmos finais trágicos apenas observando a natureza humana, mas geralmente não o fazem. Estão muito ocupados com a política”. A juíza resgatou o professor Olavo de Carvalho para lembrar de uma estratégia clássica que pode ser a causa do vídeo: “A técnica de oprimir até o ponto do insuportável, para depois culpar o oprimido quando este se revolta”.
Influenciadores apoiados por Eduardo Bolsonaro passaram os últimos meses xingando Michelle de tudo, pois ela não estaria se engajando o suficiente na candidatura do enteado. Alguns desceram ao baixo nível de chamá-la de prostituta! Enquanto isso, Eduardo estava compartilhando algumas dessas contas. No mesmo dia do vídeo da Michelle e do pedido de desculpas do próprio Flávio, Eduardo divulgou novamente Kim Paim, acusando Michelle de traidora. Se Eduardo xinga o próprio pai, como vai tratar a madrasta? Quem suporta tanta difamação?
É a velha tática canalha: o sujeito provoca o outro até seu limite, e quando ele finalmente decide reagir, isso é “prova” de que ele é nervosinho e desequilibrado! Qualquer pessoa isenta poderá perceber que Michelle vem aguentando ataques pérfidos calada por muito tempo. Um dia o caldeirão transborda, a gota d’água ultrapassa o limite tolerável. Aí o malandro diz: “Eu não avisei que ela era uma traidora!”
Para difamar a esposa de Jair Bolsonaro, os militantes resgataram até mesmo o vídeo em que ela cumprimenta Alexandre de Moraes e o chama de “irmão em Cristo”. Os mesmos dissimilados que disseram que Flávio chamou Vorcaro de "meu irmão" - porque isso é linguajar carioca ou evangélico - agora distorcem tudo para afirmar que Michelle realmente adora o algoz do seu marido. É muita baixeza!
Teve militante bolsonarista pregando até o divórcio do casal, alegando que Bolsonaro precisa decidir entre seu casamento e a possibilidade de seu filho vencer as eleições para “libertá-lo”. Essa turma aloprada quer ser mais bolsonarista do que o próprio Jair Bolsonaro, que vive com a Michele, recebe seus cuidados e certamente soube do vídeo antes de sua divulgação. Será que Jair está contente com quem fala em seu nome e passa o dia atacando sua própria esposa? Ele, que já escreveu carta pedindo para pararem com esses ataques?
“Roupa suja se lava em casa”, repetiram muitos bolsonaristas. Mas isso serve só para calar a Michelle, não os “minions” do Eduardo. Os “eduardistas” defendem até cadeirada para "proteger a honra", quando o alvo é Pablo Marçal. Um deles ameaçou me bater porque o chamei de puxa-saco do Eduardo num grupo. Mas a Michelle deve ser chamada até de prostitua por gente que os enteados defendem e aguentar calada? Caso contrário, é colocar o ego acima do país?
Michelle tem o direito de desabafar. É apenas humano. E quem não entende isso e continua aplaudindo o modus operandi sujo da turma do Eduardo está colaborando para a derrota do Flávio. Foram esses que provocaram essa situação, e não adianta culpar a Michelle agora: é como culpar o termômetro pela febre. O estrago está feito, justamente no eleitorado em que Flávio tem mais dificuldade: o público feminino e os evangélicos. E, como ficou claro, Eduardo e sua trupe vão dobrar a aposta. Lula não poderia estar mais feliz...









