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Quando uma nação entra em guerra, a primeira medida tomada pelo governo normalmente é atacar os principais pontos de comércio do inimigo. Os militares sempre buscam destruir pontes, portos e aeroportos do país em conflito, estrangulando seu comércio e tentando isolar o povo dos produtos estrangeiros. Isso demonstra que qualquer governante entende os benefícios da globalização, e sabe como é prejudicial ao povo o isolamento comercial.

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Não deixa de ser curioso, portanto, que os próprios governantes tomem medidas similares a esta estratégia de guerra, só que contra seu próprio povo. Afinal, o aumento de tarifas protecionistas acaba surtindo o mesmo efeito: dificulta o acesso do povo aos produtos importados mais baratos.

Ocorre que os poderosos “lobbies” pressionam seus governos em busca de privilégios que prejudicam os consumidores. A crise econômica fornece a desculpa perfeita para estes grupos de interesse: todos devem lutar para proteger os empregos locais. Mas as leis econômicas não mudam com a crise, e o protecionismo sempre irá representar um fardo econômico para a nação.

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Adam Smith, em A Riqueza das Nações, já havia explicado em 1776: “Todo pai de família prudente tem como princípio jamais tentar fazer em casa aquilo que custa mais fabricar do que comprar”. E ele compreendia que esta lógica econômica era igualmente válida para uma nação: “O que é prudente na conduta de qualquer família particular dificilmente constituirá insensatez na conduta de um grande reino”. Não faz sentido um povo tentar fabricar algo que pode ser comprado com menos esforço de fora.

Muitos alegam que o livre comércio tem que ser recíproco para ser benéfico. Bastiat afirma que pessoas com tal mentalidade são protecionistas em princípio, mesmo que não reconheçam, e são apenas mais inconsistentes que os protecionistas puros, que são por sua vez mais inconsistentes que os defensores da abolição completa de produtos estrangeiros. Para provar seu argumento, ele utiliza uma fábula de duas cidades, Stulta e Puera, que construíram uma grande estrada as conectando. Após o término da construção, Stulta teria reclamado que os produtos de Puera estavam inundando o seu mercado, e criou o cargo assalariado de encarregados pela obstrução do tráfego dos importados. Logo em seguida, Puera fez o mesmo, e o resultado era mutuamente perverso.

Até que um homem velho de Puera, suspeito até de receber pagamento secreto de Stulta, disse que os obstáculos criados por Stulta eram maléficos a Puera, o que era uma pena. E que os obstáculos criados pela própria Puera também eram maléficos, novamente uma pena. Completou que não havia nada que pudessem fazer quanto ao primeiro problema, mas que poderiam solucionar a outra parte, criada por eles mesmos. Houve forte reação, e o acusaram de sonhador, utópico e até “entreguista”. Alegaram que seria mais difícil ir que vir pela estrada, ou seja, exportar que importar. Isso colocaria Puera em desvantagem em relação à Stulta, como as cidades na beira dos rios estão em desvantagem frente às montanhosas, já que é mais complicado subir que descer.

Só que uma voz disse que as cidades na beira dos rios prosperaram mais que as montanhosas, causando alvoroço. No entanto, era um fato histórico! Infelizmente, para o povo de Puera, decidiram que tais cidades tinham prosperado contra as regras, e optaram pela manutenção dos obstáculos, em nome da “independência nacional” e da proteção da indústria doméstica contra a competição “selvagem”. E os consumidores continuaram sendo sacrificados para o benefício de alguns produtores privilegiados, como sempre ocorre nas medidas protecionistas.