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Tragédias demandam um bode expiatório e oportunistas apontam para Bolsonaro
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A pandemia é uma tragédia. Ceifa vidas, espalha pânico, e muitas vezes os governantes, sob pressão, precisam "mostrar serviço", transmitir a sensação de que estão "fazendo algo" para controlar a disseminação do vírus. Por atingir a elite, a coisa fica ainda pior. Os pobres estão mais acostumados à falta de leito hospitalar e risco mais elevado de morte.

Quem tem parentes ou amigos vítimas fatais do Covid encara a situação de uma forma mais emotiva, com razão. Mas e quem conhece gente passando fome, desesperada com a impossibilidade de trabalhar? Nessa politização da pandemia, a primeira vítima é o bom senso, o equilíbrio. Lembram quando bastava falar no aspecto econômico para ser chamado de insensível, assassino de idosos ou mesmo genocida?

Entrevistei o prefeito de Aparecida, cidade paulista que depende do turismo para sobreviver, com peregrinos cristãos visitando o local todo ano. Foi comovente. O prefeito quase chorou ao vivo, ao relatar que pessoas decentes, com vergonha, batem à porta da Prefeitura pedindo uma cesta básica para sobreviver! O desemprego atingiu 70% da população. É caos total.

O Brasil virou o "patinho feio" nessa nova onda, provavelmente por conta da variante mais agressiva. Isso gera mais medo e revolta, é compreensível. E em tragédias costumam demandar algum bode expiatório para ser sacrificado como o culpado pela desgraça. O alvo, claro, é o Presidente Bolsonaro. Sua postura no começo da pandemia em nada ajudou, sem dúvida. Mas há, também, muito oportunismo nisso tudo.

Por que a mídia, por exemplo, segue com a contagem de óbitos com covid desde o começo da pandemia, e não anual, como ocorre com todas as demais causas? Quantos já morreram de influenza desde o começo do surto lá atrás? Vamos ficar nessa contagem mórbida até quando? Até 2022?

Se governadores tiveram autonomia garantida pelo STF, por que a culpa seria do presidente? Claudia Wild foi direto ao ponto: "A gestão de João Doria é um verdadeiro desastre. O estado de São Paulo bateu novo recorde na pandemia: 679 novas mortes por Covid-19 em um único dia. Doria é o governador mais inepto do Brasil na condução desta pandemia, os números não mentem".

Doria teve autonomia garantida para impor as restrições que defende, e que de fato impôs ao seu estado. Ele se vangloriou da vacina chinesa, que seria a grande salvação, a cura, a panaceia, e que foi "inspecionar" cada recebimento de insumos, diante das câmeras da TV. Vai culpar Bolsonaro por esse resultado ruim agora? Alguém acha mesmo que o povo vai às ruas por influência do presidente e não por necessidade ou decisão própria? Por que seguem a influência de um e não do outro?

Falta vacina no mundo todo e o Brasil é o quinto país que mais vacinou, lembrando que, aqui, o número absoluto faz diferença, uma vez que a quantidade de vacina é limitada e para todos. Na Alemanha, muitos desconfiam da vacina, e não pode ser culpa de Bolsonaro. Na França, idem, uma tradição que vem de longa data e que piorou com as novas tecnologias. Eis um trecho da coluna "Certas Palavras", de Célio Martins, da Gazeta do Povo:

Entre os desafios das autoridades sanitárias para acelerar a imunização está a desconfiança de muitos franceses em relação às vacinas em geral e, no caso específico da Covid-19, à nova geração de imunizantes, com base em RNA mensageiro (mRNA). As vacinas da Pfizer e da Moderna, ambas aplicadas na França, foram criadas a partir dessa nova tecnologia.

Numa tragédia querem sempre um bode expiatório e a sensação de que “alguém” poderia tê-la evitado. O ódio a Bolsonaro e interesses eleitorais fazem o resto. Mas essa politicagem barata, o sensacionalismo canalha, essa tentativa torpe de transferir toda responsabilidade para o presidente, é justamente o que gera tanta revolta popular. Interditaram o debate sério com essa politização abjeta e oportunista, com narrativas binárias tolas.

Não custa lembrar que o secretário-executivo do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus em São Paulo é Gabbardo, nome de confiança do ex-ministro Mandetta, o que mais politizou a pandemia, e que mandava todos ficarem em casa até sintomas graves. Por que a mídia não cobra resultado do governador? Basta "demonstrar" preocupação com vidas e monopolizar a fala em nome da ciência? Basta a imagem, a aparência, a retórica?

Doria está tão obcecado com a politização que resolveu atacar Bolsonaro em inglês. Li a mensagem do governador e, de cara, perguntei: ué, por que ele está prestando solidariedade às famílias brasileiras em inglês?! E logo abaixo veio a explicação óbvia: mais uma politicagem barata de um demagogo tucano para responsabilizar o presidente perante a mídia internacional, fugindo da própria responsabilidade desses números terríveis.

Novamente, a pergunta que não pode ser calada: onde estão os hospitais de campanha, governadores?! Parece que finalmente a PGR vai cobrar algumas explicações. Enquanto isso, vale lembrar que outros países enfrentam desafios similares, como a França, que além da desconfiança com as vacinas, conta com 100% de ocupação hospitalar em algumas cidades.

Qualquer pessoa séria e racional levaria tudo isso em conta antes de sair apontando dedos e culpando o presidente pela situação no Brasil. Mas o debate não é sério nem racional faz tempo. É dominado pelo medo e pelo oportunismo. E os "coronalovers" e "pandeminions" sequer conseguem esconder a alegria diante do quadro caótico. Uma imagem vale mais do que mil palavras:

A solução pregada é sempre a mesma: lockdown! Fecha tudo, e a economia a gente deixa para depois. "O Brasil precisa parar por duas semanas". Fácil falar isso quando tem o emprego estável e o salário garantido no final do mês, pelo governo de SP, não?

Enquanto isso, opositores de Bolsonaro nem conseguem esconder a real intenção por trás de tanto ataque. “Nós todos estamos tratando de liquidar Bolsonaro senão ele fica aí oito anos”, confessou Ciro Gomes.

A troca de comando no Ministério da Saúde não muda nada, pois o alvo nunca foi Pazuello, e sim Bolsonaro. Alguns chegam a admitir. Joel Pinheiro, na Folha, constatou que o problema é o presidente, não o ministro, e o editorial do Estadão disse que o ministro de fato é Bolsonaro. O que a oposição exige não é um perfil técnico e independente, como de fato foi o caso, mas alguém que queira colocar em prática a sua receita para lidar com a pandemia. Aí precisam vencer nas urnas.

O grau de picuinha é tão grande que eis como certa ala da imprensa reporta o primeiro pronunciamento do novo ministro, um médico respeitado:

O mesmo site parece quase vibrar com o caos, pois ele desgasta o governo federal, cujo comandante seus jornalistas querem abertamente derrubar.

Mas não é só um site menor como O Antagonista. Ao ler as manchetes em destaque na Folha de SP hoje, fica claro como há uma torcida ou mesmo campanha pelo pior, para que Bolsonaro seja visto como o grande culpado.

A situação já é dramática por si só, com mortes causadas pelo vírus chinês e o desastre econômico fruto da pandemia e da reação a ela. A politização excessiva joga mais lenha na fogueira. Os abutres oportunistas exploram a demanda natural de parte da população em busca de um bode expiatório numa tragédia. Chega a ser um tanto bizarro, porém, apontar para Brasília, ignorando que os governadores tiveram ampla autonomia para lidar com a crise.

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