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Um século do Partido Comunista Chinês
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Quantos regimes conseguiram se manter no poder por três quartos de século? O Partido Comunista Chinês está perto de atingir essa marca, enquanto os bolcheviques, que chegaram ao poder com sua guerra civil promovida em 1917, viram o império soviético ruir no final de 1991. O regime castrista em Cuba tem mais de meio século de existência. E o PRI mexicano ficou cerca de 70 anos no poder.

O que fica claro é que são poucos casos para tanta longevidade, e todos eles têm um denominador comum: eram ou são regimes ditatoriais opressores totalitários e comunistas. Mas, ao julgar por parte de nossa imprensa hoje, poderíamos jurar que essa "conquista" se deve, no caso chinês, ao enorme sucesso de suas políticas públicas, econômicas e, sim, sociais!

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, que deixou um rastro de truculência em sua passagem pela Argentina, publicou um artigo na Veja que é mais do que bizarro, pois falta palavra para definir. Eis o subtítulo, para já provocar um misto de graça com nojo: "China defende a força da instituição para promover justiça, paz social e colaboração internacional". Eis o primeiro parágrafo, e recomendo antes um Plasil com Engov ao leitor:

Este ano de 2021 marca o centenário do Partido Comunista da China (PCC) . Porque este partido, com cem anos de história e 72 anos no poder, sempre mantém o vigor e o dinamismo? Como conquistou o apoio do seu povo? No olho do povo, o PCC é um partido dedicado para servir ao povo, que tem conduzido a nação chinesa a atravessar momentos difíceis, abrindo novos caminhos para a independência, a liberdade e a emancipação da nação, além de alcançar grandes êxitos na construção e no desenvolvimento do país. Os milagres do PCC combinam a revitalização da civilização chinesa milenar com a inauguração de uma via inovadora de desenvolvimento.

A peça de ficção continua nessa toada, sem qualquer pudor ou constrangimento, seja do autor, que precisa dizer exatamente isso, seja do veículo que abriu espaço para essa propaganda enganosa deliberada. Perto do fim, descobrimos que o líder chinês atual, que só rivaliza com o próprio Mao Tse-Tung em termos de concentração de poder, não é apenas o benfeitor da China, mas o salvador do mundo inteiro: "O presidente Xi Jinping salientou que cada ação do PCC visa o bem-estar do povo chinês, o rejuvenescimento da nação chinesa, bem como a paz e o progresso de toda a Humanidade".

Voltemos ao começo, para colocar os pingos nos is. O embaixador pergunta se sabemos por que o PCC está há tanto tempo no poder. Eu sei! Porque exterminou dezenas de milhões de dissidentes, promoveu expurgos aos montes, fez uma revolução cultural que usou crianças para matar parentes "contrarrevolucionários", prendeu todo e qualquer crítico, jogou minorias em campos de concentração e comprou quem estava à venda. Foi assim que o PCCh ficou esse tempo todo no poder!

Essa é a única verdade, o resto é narrativa falsa. Mas a China tem encontrado muito "jornalista" (do tipo daquela "modelo" que cobrou dois mil reais para fazer sexo com o funkeiro) disposto a repetir essas falácias abjetas. Entram na lista dos que estão à venda. A União Soviética lançou mão desse mecanismo com frequência, e basta lembrar do "jornalista" do NYT que divulgava mentiras sobre a Rússia enquanto desfrutava das benesses garantidas pelo sistema assassino. Ele levou até um Pulitzer pelas "reportagens", que nunca foi retirado, nem quando ficou evidente a farsa.

Hoje não faltam prostitutas, gargantas de aluguel, dispostos a elogiar a ditadura em troca de grana. Cada vez é mais raro encontrar um veículo de comunicação independente e corajoso a ponto de expor as verdades sobre a China. Esta Gazeta do Povo é um desses veículos, e merece todo nosso apoio e respeito por isso. Foi nela que Leonardo Coutinho publicou o único perfil do novo embaixador até agora, uma vez que nossa mídia preferiu ignorar quem é o homem mais poderoso do Brasil no momento. E foi nela que Flávio Gordon publicou esse excelente texto hoje, mostrando como o regime opressor chinês tenta impedir o debate necessário sobre a origem do vírus que colocou o mundo de joelhos. Seguem alguns trechos:

O vasto e intrincado lobby pró-ditadura chinesa, mediante censura, ameaça e outros expedientes típicos de regimes totalitários, pretende banir do debate público a hipótese de o Sars-CoV-2 ter escapado de um laboratório chinês. [...] Na República Popular da China, não há diferença entre centros de pesquisa civis e militares. Inexiste na China comunista o conceito de pesquisa científica pura ou desinteressada. [...] Na maioria dos estúdios e redações brasileiros, a ordem unida continua sendo a de tratar qualquer sugestão de culpa chinesa pela pandemia com risinhos de deboche.

Mas o verdadeiro deboche é o PCCh ainda bancar o bom samaritano com a venda de vacinas para países africanos. O regime é o maior responsável direto pela pandemia, seja por perseguir críticos, seja por deliberadamente ter criado o vírus em laboratório, e depois ainda simula filantropia?! Sendo que acabou de usar a vacina como moeda de troca, como chantagem para calar críticas do governo brasileiro?! Comentei sobre isso no Jornal da Manhã mais cedo:

Parece aquele borracheiro safado que espalha pregos pelo asfalto e depois surge como o salvador vendendo seus serviços. É uma piada de mau gosto enaltecer um regime desses. Infelizmente, parece que seus tentáculos avançam sobre nossa imprensa e nosso Congresso. No Senado, nessa CPI circense, alguns mais parecem funcionários exemplares da ditadura comunista, assessores de imprensa do PCCh que querem louvar o regime e demonstrar gratidão por ele. Bizarro? Já disse que falta palavra melhor para definir.

Se depender dessa gente "pragmática", leia-se amoral e vendida, o Brasil será em breve uma província chinesa. E aí todos teremos que dizer "amém" para declarações como esta do embaixador, de preferência comemorando o centenário em feriado nacional no lugar do 7 de setembro ou do 15 de novembro. Seremos a República Democrática Comunista do Brasil, sob a tutela do PCCh. E quem não gostar? Bem, haverá liberdade para escolher o campo de concentração ou a vala...

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