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Rodrigo Constantino

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Até onde vai a linha que separa o humor da falta de sensibilidade? – Jovem Pan

Comentário de hoje no Jornal da Manhã:

Nesse Carnaval talvez fosse um bom momento para pararmos e refletirmos sobre o excesso de vitimismo dos dias atuais. O episódio com o ator Fabio Assunção é um dos vários exemplos: até onde vai a linha que separa o humor da falta de sensibilidade? Existe humor sem ofender alguém ou algum grupo? O humor não serve justamente para desafiar a sociedade, para fazer troça com a tragédia, para chacoalhar nossos valores ou esfregar nossa hipocrisia em nossas caras?

Henri Bergson, em seu ensaio sobre a comicidade, afirma que o riso, pelo medo que inspira, mantém constantemente vigilantes certas atividades que correriam o risco de adormecer; ele “flexibiliza tudo o que pode restar de rigidez mecânica na superfície do corpo social”. Neste sentido, o riso persegue “um objetivo útil de aperfeiçoamento geral”, ele é uma espécie de “trote social”. A censura ao humor é uma grande palhaçada. Mas trata-se de uma piada de mau gosto.

Claro, algum limite deve haver. Mas será que não estamos pecando pelo excesso de zelo ao coitadismo e ao politicamente correto? Esse clima geral, produzido pelos “progressistas”, levou a um aumento espantoso na quantidade de “vítimas”, mesmo quando é preciso voltar ao tribalismo para enxergar vítimas com base em abstrações coletivistas, mesmo quando é preciso forjar um ataque, mesmo quando vivemos na época mais próspera e livre que se tem notícia. Todos querem ser vítimas, e quem desaparece com isso é a ideia de responsabilidade individual.

Ok, uma doença como dependência química é sem dúvida algo triste, trágico, mas não há mais qualquer implicação do sujeito em seus atos? Não existe qualquer escolha, volição, livre-arbítrio mais? Somos todos como marionetes do destino, fantoches do sistema, vítimas da sociedade? E que tipo de sociedade se constrói quando se mata o conceito de responsabilidade individual? A resposta é óbvia: nenhuma. Acabar com a noção de que somos os responsáveis por nossos atos pode apenas destruir a sociedade, deixando em seu lugar um bando de vítimas ofendidas com qualquer microagressão ou piada. E um mundo muito chato também, diga-se…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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