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Comentário na Jovem Pan:

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Joe Biden é tido pelos democratas mais moderados – os poucos que restaram – como um bom nome a competir com Donald Trump em 2020. Só há um pequeno problema: as bases do Partido Democrata estão cada vez mais radicais e dependentes da narrativa identitária.

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Como o editorial do WSJ reconheceu, o fracasso de Joe Biden em marcar qualquer dos quesitos na moderna política de identidades progressista pode acabar o desqualificando como concorrente na disputa eleitoral, mesmo que ele provavelmente seja aquele com melhores chances de vitória.

Recentemente veio à tona uma denúncia de uma colega de partido sobre o comportamento do ex-vice-presidente, suspeito de assédio sexual ou, no mínimo, falta de noção. Biden teria cheirado seu cabelo e apoiado as mãos em seu ombro na véspera de um discurso dela. O timing dessa acusação, logo após Biden anunciar que vai mesmo disputar as primárias, e também a fonte – uma democrata que esteve, na semana anterior, num comício de Beto O’Rourke, concorrente direto de Biden, não importaram muito: ele passou a ser duramente atacado pela própria esquerda.

Isso era previsível. Como lembra o WSJ, ele pode ter sido vice-presidente, mas é velho, branco, homem e heterossexual – pelo visto um que gosta mesmo de se aproximar demais de mulheres. Essas características representam pecados mortais para a esquerda moderna, que só enxerga grupos de minorias com base no grau de vitimismo contra o algoz: justamente o homem branco heterossexual. É tribalismo na veia!

O professor Mark Lilla já alertou para o risco de essa política de identidade destruir de vez a esquerda progressista. Mas não parece ser mais possível voltar com o gênio para dentro da garrafa. O monstro foi criado, os corvos foram alimentados. E agora vão bicar os olhos dos próprios criadores, da esquerda democrata. Biden dificilmente será o candidato em 2020. E quem mais agradece é Donald Trump, que prefere disputar com algum socialista radical da vida. Mais fácil vencer assim.

PS: A acusação contra Biden pode ter mais embasamento do que a esquerda gostaria. Alguns defendem o ex-vice alegando que ele é “carinhoso” com todos, que gosta de se aproximar sem segundas intenções, mas na direita sua conduta com mulheres, em especial as mais novinhas, é motivo de denúncia faz tempo. Biden age de forma um tanto “creepy” mesmo, para dizer o mínimo. Paul Joseph Watson fez um resumo da coisa:

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Ainda assim, competindo com alguém como Trump, conhecido por comentários chulos sobre mulheres, esse não seria um defeito mortal para o democrata. Já o radicalismo de seus colegas de partido sim, será fatal para a esquerda. Assim se espera, ao menos!

Rodrigo Constantino