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Comentário de hoje no Jornal da Manhã:

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Muitos falam da irreverência do carnaval, dos ataques aos políticos (especialmente mais à direita, já que é o carnaval da lacração) ou alegam que essa folia toda nas ruas, com gente seminua, seria prova de que o povo brasileiro não é tão conservador assim. Confundem válvula de escape com cotidiano.

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O Carnaval, como o nome diz, é a festa da carne, do hedonismo. É uma janela de alguns dias em que o povo, que sofre o ano todo, suspende as normas, as regras, e desafia o poder, faz troça de tudo, e vive como se não houvesse amanhã. Mas há.
E é aí que mora o perigo. Do lado mais conservador, muitos reclamam da festa não só por essa irreverência toda, cada vez de mais baixo nível, diga-se, mas também pelo aspecto pão e circo, uma distração para as massas, que mergulham na ilusão e na fantasia e esquecem do real. Não vejo isso como o grande problema. Todos têm direito a uma escapulida, para extravasar um pouco, relaxar. O problema não é pular carnaval e cair na folia por uma semana; é não conseguir sair dele depois!
Assim como o problema não é o que se come entre Natal e Reveillon, mas sim entre o Reveillon e o Natal, o problema não é o povo sair às ruas deixando boa parte da responsabilidade em casa por uns dias, mas sim voltar para a casa e deixar a responsabilidade na rua. O que quero dizer, em suma, é que o maior problema que vejo não está no carnaval em si, mas no fato de a vida do brasileiro, em especial do carioca, ser um grande carnaval o ano todo! Acha-se graça de tudo, a irreverência é constante, o hedonismo impede um foco de mais longo prazo, falta responsabilidade e seriedade, sobra ilusão e fantasia. Podem pular carnaval à vontade. Desde que a Reforma da Previdência seja aprovada, por exemplo. Caso contrário, a ressaca será inevitável. E das grandes…
Rodrigo Constantino