
A Epagri desenvolveu uma técnica de melhoramento genético em Santa Catarina que permitiu que as tilápias alcançassem um peso 39% maior após cinco gerações de pesquisa. O trabalho, realizado no Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí, utiliza DNA e nanochips para selecionar os peixes mais produtivos e resistentes, visando aumentar a rentabilidade dos produtores e a eficiência do setor no estado.
Como funciona o processo de criação da chamada supertilápia?
O processo é um trabalho de seleção genética contínua que começou em 2009 com a linhagem Gift, de origem asiática. Os pesquisadores utilizam nanochips de identificação em cada peixe e realizam análises de DNA a partir de amostras das nadadeiras. Esse mapeamento permite identificar quais famílias de reprodutores possuem as melhores características, como crescimento rápido, tolerância ao frio e resistência a doenças. A partir desses dados, são feitos cruzamentos direcionados para que cada nova geração supere a anterior em rendimento e peso final nos viveiros escavados.
Quais são os principais benefícios práticos para os produtores de peixes?
Para quem trabalha com a criação, a genética superior se transforma em resultados econômicos diretos. Os peixes selecionados apresentam um crescimento mais acelerado e uma melhor conversão alimentar, o que significa que o animal aproveita melhor a ração para ganhar peso. Além disso, as novas linhagens, como a Epagri SC04, oferecem um maior rendimento de filé e uma adaptação aprimorada ao clima de Santa Catarina. O estado possui invernos rigorosos que naturalmente reduzem o apetite dos peixes, e ter animais que suportam melhor essas variações garante uma produção mais estável.
De que forma essa tecnologia chega aos viveiros comerciais de todo o país?
A Epagri atua como fornecedora das matrizes, que são os peixes adultos selecionados para a reprodução, entregando-os aos produtores de alevinos (peixes jovens). Desde 2014, mais de 318 mil matrizes foram distribuídas para 56 produtores em 11 estados brasileiros. Em Santa Catarina, a rede é ainda mais forte, com 90% dos produtores de alevinos utilizando o material genético da empresa. Como cada matriz pode gerar cerca de mil filhotes por safra, a tecnologia se espalha rapidamente, abastecendo as propriedades de engorda e chegando finalmente ao mercado consumidor.
Por que o manejo adequado é tão importante quanto a genética no cultivo?
Apesar da qualidade genética, a piscicultura moderna exige um sistema de produção profissional para evitar riscos. A Epagri orienta os criadores sobre a construção correta de viveiros, gestão sanitária e biossegurança. Um ponto fundamental é o uso de tabelas que indicam a quantidade exata de ração necessária conforme o peso do peixe e a temperatura da água. Esse controle rigoroso evita o desperdício de alimento, reduz custos operacionais e diminui o impacto ambiental, garantindo que o potencial da supertilápia seja totalmente aproveitado sem comprometer a saúde do viveiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





