
Moradores e empresários da região de Interpraias, em Balneário Camboriú (SC), iniciam em setembro de 2026 um projeto de R$ 720 mil para instalar 300 câmeras com inteligência artificial e reconhecimento facial. A iniciativa busca transformar a localidade no bairro mais seguro do Brasil por meio de um sistema de monitoramento totalmente financiado pelo setor privado e integrado à segurança pública.
Como funcionará a tecnologia de inteligência artificial aplicada nas câmeras?
O sistema utiliza tecnologias avançadas que vão muito além da simples gravação de imagens. As câmeras possuem reconhecimento facial e capacidade para leitura de placas de veículos em tempo real. Um dos grandes diferenciais é a ferramenta de busca inteligente, que permite filtrar as gravações por características específicas. Isso significa que os operadores podem localizar rapidamente registros baseados em detalhes como a cor de um boné, o modelo de uma bicicleta ou até mesmo animais perdidos. Todo o conteúdo capturado será armazenado em nuvem para garantir a preservação dos dados.
Quem terá acesso às imagens e como será feita a integração com a polícia?
Embora o projeto seja 100% custeado por moradores e empresários, as imagens serão compartilhadas com as forças de segurança pública. A Guarda Municipal e a Polícia Militar de Balneário Camboriú terão acesso aos registros em tempo real por meio de conexão remota. O sistema será integrado ao programa municipal 'Smart BC Muralha Digital'. Um ponto importante é que a empresa privada contratada para o monitoramento 24 horas não terá acesso aos dados sensíveis decorrentes do reconhecimento facial ou das placas, informações que ficam restritas aos agentes de segurança pública.
Quais são as áreas cobertas pelo projeto e qual o custo para a comunidade?
A rede de vigilância deve cobrir seis praias da região de Interpraias: Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras, Taquarinhas, Laranjeiras e Pinho. O investimento inicial previsto para os próximos dois anos é de R$ 720 mil, destinados à compra, instalação e manutenção dos equipamentos. A estrutura será mantida por contribuições mensais de proprietários de terrenos, comerciantes e condomínios. O modelo segue o sucesso de uma iniciativa menor na Praia do Estaleiro que, desde 2021, utiliza câmeras mantidas pelos moradores para ajudar a elucidar furtos e arrombamentos locais.
O sistema de monitoramento pode restringir o acesso público às praias?
Não haverá fechamento de acessos ou impedimento à circulação de pessoas. O objetivo do projeto é preventivo e focado na identificação de criminosos, sem criar uma lógica de condomínio fechado. Especialistas em urbanismo explicam que, para garantir a liberdade de locomoção, as câmeras devem ser posicionadas estrategicamente nas entradas e saídas do bairro, evitando a inibição de banhistas na faixa de areia. Além da segurança, o monitoramento valoriza o mercado imobiliário, já que a proteção tecnológica tornou-se um atributo tão desejado quanto a vista ou a localização.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





