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2º estado no ranking nacional

SC redesenha mapa econômico para converter liderança em desenvolvimento regional

O estado tem hub logístico, com portos, aeroportos e rodovias qualificados. (Foto: Divulgação/SCPar Porto de Imbituba)

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Santa Catarina ganhou destaque no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Na última edição, publicada em maio, o estado manteve a segunda posição geral, atrás apenas de São Paulo, e liderou novamente os pilares de segurança Pública e capital Humano, além de figurar entre os primeiros em sustentabilidade social.

O levantamento, que compara as 27 unidades da federação em dez pilares que vão de infraestrutura e educação à solidez fiscal, inovação e meio ambiente, reforça um padrão que se consolidou nas últimas edições: uma economia diversificada, com bons indicadores sociais e capacidade de atrair investimentos, especialmente no Sul e Sudeste, em contraste com o desempenho médio de Norte e Nordeste.

No caso catarinense, o avanço em áreas como potencial de mercado, sustentabilidade ambiental e inovação se soma à liderança em segurança e capital humano e projeta a imagem de um estado competitivo, com baixa desigualdade e mercado de trabalho aquecido, mas que passa a conviver com o desafio de sustentar esse desempenho em meio ao crescimento populacional e à pressão sobre infraestrutura, serviços públicos e território.

Para o secretário estadual de Planejamento, Arão Josino, o resultado consolida um processo de longo prazo, mas também marca um ponto de virada na forma como Santa Catarina enxerga o próprio desenvolvimento. “O estado construiu, ao longo de sua história, uma economia forte, diversificada e consistente, mas chegamos a um patamar em que não basta crescer em volume. Precisamos projetar o futuro e desenvolver as vocações econômicas regionais para sustentar esse crescimento nas próximas décadas”, aponta.

É nesse contexto que o governo lança o Avança SC, um programa que parte de um diagnóstico detalhado das regiões, com uso intensivo de dados socioeconômicos e do Índice de Complexidade Econômica (ICE), para classificar os territórios em regiões avançadas, em ascensão e com potencial. Ele explica que a ideia é orientar investimentos públicos e políticas de desenvolvimento a partir da complexidade produtiva de cada área. “Há uma relação direta entre complexidade econômica e desenvolvimento humano, e é isso que queremos colocar no centro do planejamento”, ressalta Josino.

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SC usa ranking de competitividade para planejamento

O Ranking de Competitividade dos Estados se propõe a ser uma ferramenta simples para pautar a atuação dos governos e apoiar a elaboração de políticas baseadas em evidências. Ele também funciona como um insumo para decisões do setor privado, ao oferecer critérios comparáveis de atratividade entre os estados. No caso catarinense, a pasta de Planejamento busca traduzir essa abordagem em um mapa mais granular, que vá além da fotografia anual do ranking.

Para Josino, Santa Catarina é como um mosaico de 295 municípios “com realidades muito distintas”, onde a competitividade depende do fortalecimento das economias locais. “Não há competitividade estadual sem base municipal sólida. Quando um município amplia sua capacidade produtiva e se conecta a cadeias mais complexas, ele gera emprego, renda e qualidade de vida. É essa base municipal que sustenta o desempenho do estado.”

O Avança SC usa esse diagnóstico para apontar quais regiões já apresentam estruturas mais complexas, com maior diversificação industrial, serviços especializados e inserção em mercados externos, quais estão em trajetória de ascensão e quais, embora menos desenvolvidas hoje, concentram potencial para novos ciclos de crescimento. A partir daí, a proposta é calibrar investimentos em infraestrutura, qualificação de mão de obra e apoio a setores estratégicos de forma mais alinhada às capacidades de cada território, em uma tentativa de reduzir desigualdades regionais sem perder competitividade.

“Todas as regiões catarinenses possuem potencial de crescimento”, afirma o secretário. “O que estamos fazendo é mapear essas competências regionais e orientar decisões de governo para promover equilíbrio regional e tornar o estado mais competitivo como um todo.”

Santa Catarina aparece em segundo lugar no Ranking de Competitividade dos Estados. (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Governo de Santa Catarina)

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Indústria forte e pequenos negócios espalhados

A Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (Sicos) aparece como a ponte com a economia real. O titular da pasta, Edgard Usuy, atribui o desempenho de Santa Catarina no ranking a uma combinação de fatores: uma economia diversificada, programas de apoio ao setor produtivo, investimentos recentes em infraestrutura e energia e uma cultura de trabalho que, na avaliação dele, diferencia o estado no cenário nacional.

“Santa Catarina possui uma economia forte, resultado de um governo que investe no empreendedorismo e na geração de empregos. Também somos um importante hub logístico, com portos, aeroportos e rodovias qualificados, e isso aumenta muito a nossa capacidade de produção”, diz Usuy.

Para ele, as pequenas propriedades rurais e as micro e pequenas empresas são a base da sociedade catarinense e da geração de renda. “Nossa economia é descentralizada. A pequena propriedade rural e as micro e pequenas empresas são a base da nossa sociedade, e isso faz com que a geração de renda seja distribuída”, afirma.

Na prática, esse modelo ajuda a explicar tanto a descentralização econômica quanto os indicadores de desigualdade relativamente baixos em comparação com outros estados. Ao mesmo tempo, o governo procura reforçar esse arranjo com programas como Pronampe SC e Juro Zero, linhas de crédito com juros subsidiados voltadas a pequenos negócios. “O governo dá um foco especial aos pequenos negócios, facilitando, incentivando, criando políticas públicas para eles crescerem cada vez mais”, explica o secretário. No caso da indústria, Edgard cita programas como Prodec e Pró-Emprego, que oferecem benefícios fiscais para investimentos produtivos.

Usuy destaca ainda o papel do mercado de trabalho aquecido e da renda acima da média nacional para o pilar de Potencial de Mercado. Para ele, o alto nível de geração de empregos e maior rendimento, aquece o consumo e o potencial de mercado cresce. “É isso que o ranking capta quando olha para o tamanho e a dinâmica da nossa economia”, resume.

Para o governo, o novo mapa econômico desenhado pelo Avança SC deve reforçar esse ciclo, ao orientar melhor os investimentos públicos em infraestrutura e qualificação de acordo com as vocações regionais.

Santa Catarina investe em programas de apoio ao setor produtivo. (Foto: Jonatã Rocha/Governo de Santa Catarina)

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Crescimento em transição em Santa Catarina

O relatório do CLP enfatiza que o ranking tem potencial para funcionar como um sistema de incentivo para governos estaduais, ao permitir que cidadãos e empresas acompanhem de forma comparável a evolução de políticas em áreas cruciais para o desenvolvimento. Mas também alerta que rankings não esgotam a realidade e que existe risco de distorções se forem tratados apenas como troféus de gestão.

Josino aponta que o principal desafio é evitar que o bom desempenho se restrinja a “números agregados”, sem se traduzir em desenvolvimento “real, sustentável e duradouro”. Para ele, o desafio é garantir que o crescimento econômico se traduza em desenvolvimento de verdade, e não apenas em indicadores bonitos.

Do lado da Sicos, a preocupação é manter a competitividade em um cenário de crescimento econômico e populacional acelerado, que pressiona infraestrutura, serviços públicos e o próprio mercado de trabalho.

A leitura de ambos é que investimentos em segurança pública, especialmente na ampliação do sistema prisional e no reforço das forças policiais, somados à estabilidade econômica e institucional, formam uma base de segurança pública, segurança jurídica e segurança econômica que ajuda a preservar a posição do estado na disputa por empresas, talentos e moradores.

Um mapa para reduzir desigualdades e segurar a liderança

O pilar de sustentabilidade social, segundo maior em peso no ranking, mede a capacidade dos estados de reduzir vulnerabilidades ao longo do ciclo de vida, indo além da renda e incluindo indicadores de saúde, moradia, saneamento e trabalho decente. Santa Catarina figura entre os estados mais bem avaliados nesse aspecto, mas o relatório chama atenção para as disparidades regionais que marcam o Brasil e para a importância de políticas que combinem correção de distorções com prevenção de novas vulnerabilidades.

O governo ressalta que é justamente esse ponto que o Avança SC pretende atacar, na leitura da pasta do Planejamento. Ao classificar regiões em avançadas, em ascensão e com potencial, o programa tenta orientar recursos para evitar que o crescimento se concentre em poucos polos e deixe para trás territórios com menor complexidade econômica. “Sem equilíbrio territorial, o crescimento se concentra e perde sustentabilidade”, diz Arão Josino.

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