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Mercado imobiliário

Maior torre comercial do Brasil ultrapassa 200 metros e tem mirante em caixa de vidro

Torre de vidro espelhado, alta e estreita, se destaca no centro da imagem entre prédios mais baixos, em dia nublado na zona sul de São Paulo.
Torre Alto das Nações se destaca entre os prédios da zona sul de São Paulo e é o maior edifício de escritórios do Brasil. (Foto: Luisa Purchio/Gazeta do Povo)

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O novo prédio comercial anunciado como o mais alto do Brasil fica na zona sul de São Paulo, às margens do rio Pinheiros. É o Torre Alto das Nações, da WTorre, que tem 219 metros de altura e é o primeiro da capital paulista a passar os 200 metros.

Com lajes de 2,3 mil metros quadrados, vidro do piso ao teto, heliponto e mais de 30 elevadores, a expectativa é receber cerca de 10 mil pessoas por dia. Para os visitantes, a grande atração será um mirante com visão completa da cidade em um cubo de vidro que avança para fora do prédio.  

A ideia lembra o Skydeck de Chicago e, sem sair da cidade, o Sampa Sky, instalado no alto do Mirante do Vale, no centro. A data de abertura ainda não foi anunciada, mas a previsão é até o fim deste ano. O espaço vai receber o público também à noite e nos fins de semana. 

Com a nova torre, o Órion Complex, em Goiânia, de 191 metros, perde o posto de edifício comercial mais alto do país. Em São Paulo, o recorde pertencia desde 2022 ao Platina 220, no Tatuapé, de 171,7 metros, que agora fica 47 metros abaixo. Antes dele, o título passou cerca de cinco décadas com o Mirante do Vale, de 170 metros.

Mesmo assim, a torre paulistana não lidera a lista nacional. De acordo com o Council on Tall Buildings and Urban Habitat, entidade internacional que mantém o principal ranking de arranha-céus do mundo, ela fica na sexta colocação entre os prédios concluídos no país, atrás de cinco residenciais de Balneário Camboriú (SC). O campeão é a Torre 2 do Yachthouse by Pininfarina, de 294,1 metros.

Arquiteto se inspirou em arranha-céu de Londres para desenhar a torre 

O arquiteto Jonas Birger, autor do projeto em São Paulo, buscou referência no The Shard, a torre de vidro de Renzo Piano que marca a paisagem de Londres. Em São Paulo, os vidros da fachada foram instalados com leves desníveis entre um painel e outro, o que faz o prédio mudar de tom conforme a hora e o clima.

A intenção era humanizar o bloco e, por isso, o desenho combina linhas retas e quinas em ângulos diferentes. Na fachada, dois canteiros com plantas que aguentam vento formam faixas verdes, enquanto terraços empilhados criam uma linha vertical ao longo dos andares. 

A altura também exigiu cuidados extras: um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) avaliou o efeito do vento, e a estrutura foi pensada para oscilar levemente, em vez de ser totalmente rígida. São 39 andares e 98,9 mil metros quadrados de escritórios classificados como AA, a categoria mais alta na classificação da consultoria JLL, uma das maiores consultorias globais do setor imobiliário.

Complexo aposta no conceito de "cidade de 15 minutos" 

O arranha-céu é a peça principal do Paseo Alto das Nações, conjunto que a WTorre ergue com a Carrefour Property onde ficava a primeira loja da rede francesa no país, aberta em 1975 na avenida das Nações Unidas. Hipermercado, lojas, restaurantes e uma torre de uso misto já estão em funcionamento.

A próxima fase prevê um prédio residencial e um teatro, ao redor de uma praça fechada para carros. Mais que a altura do prédio comercial, a principal aposta do empreendimento é em um conceito chamado "cidade de 15 minutos", um complexo que une casa, escritório, compras e transporte a uma curta distância.

Quem chega de trem desce praticamente no complexo: a estação Granja Julieta, da linha 9-esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), fica colada ao terreno. O endereço segue a diretriz do Plano Diretor de São Paulo, que estimula o adensamento perto do transporte coletivo, e está dentro da Operação Urbana Água Espraiada, que tem regras próprias para prédios mais altos.

Essas áreas próximas ao transporte, porém, são limitadas e, portanto, valiosas. "Elas representam mais ou menos 3% da área do município, não é uma área muito grande", afirma o vice-presidente de Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP, Claudio Bernardes.

"Os eixos vêm sendo usados há dez anos e vão acabando", acrescenta ele. Para construir acima do limite básico do terreno, o empreendimento usou 61,3 mil Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos vendidos pela prefeitura dentro das operações urbanas.

O valor equivale a cerca de R$ 197 milhões em outorga onerosa, de acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Os recursos da operação urbana são destinados a obras de infraestrutura, mobilidade, drenagem, moradia popular e melhoria dos espaços públicos.

O complexo ainda não está totalmente concluído. De acordo com a secretaria municipal, o empreendimento recebeu três habite-se parciais, em 2022, 2024 e 2026, que somam 257 mil metros quadrados de área pronta, de um total de 317,4 mil metros quadrados licenciados. Novos certificados serão emitidos até o fim da obra.

Torre chega no trimestre com mais escritórios novos desde 2017 

A inauguração coincide com um momento de forte expansão do mercado corporativo. No terceiro trimestre deste ano, São Paulo recebeu 195 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão, o maior volume entregue desde 2017, de acordo com levantamento da JLL. Só a Torre Alto das Nações ampliou em 31,7% o estoque de escritórios de alto padrão da Chácara Santo Antônio.

Com tanta oferta nova, a taxa de vacância da cidade subiu pela primeira vez desde 2023 e chegou a 14,1%. A procura, porém, segue firme. O mercado paulistano completou nove trimestres seguidos com contratos acima de 10 mil metros quadrados, uma marca histórica, e o preço médio pedido pelo aluguel chegou a R$ 126 por metro quadrado ao mês, alta de 9,9% em um ano. 

Para a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, o motor desse movimento é a volta ao escritório. "O efeito das demandas represadas durante a pandemia até foi percebido no início, mas agora o movimento está mais relacionado à necessidade de intensificação do presencial", afirma.

De acordo com ela, o dado que mais chama a atenção não são as entregas, mas as pré-locações, contratos fechados antes de o prédio ficar pronto. "Esse índice demonstra que o nosso mercado está realmente muito ativo."

Falta de terreno empurra novos prédios para outras regiões 

O desafio da nova torre é ocupar o espaço. A Chácara Santo Antônio tem 43,7% de seus escritórios de alto padrão vagos, uma das maiores taxas da cidade, de acordo com a JLL.

A maior parte das lajes pertence à Altre, empresa do grupo Votorantim, que adquiriu 60% de participação por cerca de R$ 1 bilhão e já começou a comercializar os espaços. A farmacêutica Bayer está entre os ocupantes confirmados, com 15,6 mil metros quadrados.

Yara não vê o endereço como um risco e acredita que um projeto desse porte não caberia nos bairros mais disputados."O Alto das Nações é um grande complexo, o que não seria possível executar em outras regiões onde há escassez de terreno que permita esse volume de construção", afirma. 

"A Chácara Santo Antônio é o vetor de crescimento da cidade, praticamente a continuação da Chucri Zaidan. O crescimento seguindo esse eixo é natural", complementa. A diretora também descarta o risco de excesso de oferta. Dos 309 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão previstos para chegar ao mercado até 2029, 48% já estão pré-locados.

Quase metade desse volume, 45%, deve ser entregue ainda em 2026. A região da Chucri Zaidan, vizinha da nova torre, concentra a maior fatia, com 91 mil metros quadrados previstos até 2027, seguida pela região da avenida Juscelino Kubitschek, com 57 mil, de acordo com a JLL.

Para Yara, o principal motivo é o mesmo que vem transformando a paisagem da cidade: a falta de terreno. "É o que mais impacta a busca por outros eixos e empurra os novos prédios para novas regiões".

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