
A gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo iniciou estudos para conceder o Memorial da América Latina à iniciativa privada. A medida busca reduzir custos de manutenção, orçados em R$ 22,46 milhões para 2026, mas enfrenta forte resistência de parlamentares e movimentos de esquerda.
O que motivou o estudo para a concessão do memorial?
O principal motivo é a busca por eficiência e redução de gastos públicos. Atualmente, o governo paulista banca cerca de 84% dos custos do espaço, o que representa quase R$ 19 milhões anuais vindos diretamente do Tesouro do Estado. A ideia é atrair parceiros privados para assumir a manutenção e preservação do local, além de ampliar o uso público do complexo arquitetônico.
Quais outros espaços foram incluídos nesse pacote de estudos?
Além do Memorial da América Latina, o governo estadual incluiu o Palacete Franco de Mello, localizado na avenida Paulista, e a Casa das Retortas, na região central de São Paulo. Esses locais foram qualificados no programa de parcerias de investimentos como 'ativos culturais' que podem passar por processos de exploração ou delegação para o setor privado.
Por que a oposição de esquerda é contra a medida?
Para a esquerda, o memorial é um símbolo da identidade e integração regional. Idealizado por Darcy Ribeiro e projetado por Oscar Niemeyer em 1989, o espaço representa ideais políticos desses nomes históricos. Movimentos sociais e parlamentares temem que a concessão descaracterize a natureza acadêmica, científica e cultural fundacional da instituição, priorizando apenas o lucro comercial.
Quais são as principais críticas à estrutura atual do prédio?
Independentemente da política, críticos apontam falhas funcionais no projeto de Niemeyer. Há relatos de bibliotecas sem isolamento acústico e galerias de arte com vidros cobertos para evitar o calor excessivo do sol. Além disso, o local é frequentemente criticado por ser uma grande praça de concreto cercada por grades, o que dificultaria sua integração com a vida cotidiana da cidade.
O que acontece daqui para frente com o projeto de concessão?
Os estudos técnicos estão em fase inicial e avaliarão aspectos jurídicos, econômicos e patrimoniais. A Secretaria de Parcerias em Investimentos informou que ainda não há um modelo de negócio definido, nem editais ou mudanças planejadas na gestão imediata. Antes de qualquer decisão final, o governo de São Paulo deverá realizar consultas e audiências públicas para ouvir a sociedade.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





