
De acordo com os dicionários de língua portuguesa, a palavra "crônico" denota longa duração. Na Medicina, define também uma das grandes preocupações do século 21: as doenças crônicas. Por definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), pode se enquadrar neste conceito qualquer enfermidade que persista por mais de três meses como diabete, câncer, asma e bronquite. Sozinhas, são atualmente a maior causa de morte no mundo. Segundo a OMS, são responsáveis por 60% das 57 milhões de mortes que acontecem a cada ano.
Embora devam ser tratadas com seriedade, é consenso no meio médico de que as doenças crônicas não precisam ser necessariamente um fardo a se carregar a vida toda. Se nem sempre a cura é possível, a batalha travada pela Medicina é por qualidade de vida. Em maior ou menor grau, essas enfermidades cobram limitações de seu portador. "Elas causam dores, incômodos e diversas outras situações. A grande questão é: como diminuir isso? O objetivo é tornar a vida do paciente próxima a de uma pessoa que não tem qualquer problema de saúde", explica o médico pediatra da Paraná Clínicas, Carlos Roberto Mortean.
Para profissionais da saúde, com a combinação entre bons hábitos de vida, prática regular de exercícios físico e constante tratamento, a maioria delas pode passar praticamente despercebidas. "O doente crônico não pode descuidar. Tem de estar de olho em seus exames e sua saúde o tempo todo. Se ele fizer isso, vai ter uma vida com muita qualidade. Se não fizer corre os riscos de ter a vida limitada e de uma morte prematura", diz o médico.
Fatores
Porém, nem prevenção e nem a vigilância têm sido hábitos adotados. Em todo o mundo, as doenças crônicas se configuram como uma epidemia, como define a OMS. Resultado de um modo de vida que tem cobrado seu preço ao homem moderno. "O grande número de mortes decorrentes dessas enfermidades podem ser explicadas pela grande variedade delas. Porém, não há como negar que a má alimentação, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool tenham sua grande dose de contribuição nisso. Afinal, eles são os principais fatores que causam as doenças crônicas mais incidentes", diz o clínico-geral do Hospital das Clínicas de São Paulo, Vladimir Souza Braga, autor de teses sobre esse tipo de enfermidade.
No mundo, os problemas ligados ao coração (doenças cardiovasculares como hipertensão e colesterol elevado) e a diabete lideram o número de casos. "Isso é resultado direto dos hábitos pouco saudáveis tão comuns hoje em dia", diz o clínico-geral. Apesar disso, ele pondera. "Existem doenças crônicas de caráter genético, que vão aparecer independentemente de uma vida regrada. Mas esses casos são minoria."
E no Brasil a realidade não é menos preocupante. Os maus hábitos dos brasileiros mostram que o país caminha na contramão da diminuição dessas mortes. Por aqui, as doenças crônicas preveníveis também lideram esse indesejado ranking. E em uma constante crescente. Segundo um comparativo do Ministério da Saúde, em 1930, as doenças infecciosas foram responsáveis por 46% das mortes nas capitais brasileiras. Hoje, são responsáveis por menos de 5%. Já as doenças cardiovasculares, que matavam apenas 12% das pessoas, hoje ultrapassam 35% das mortes registradas no país.
Uma vida com qualidade
A professora de educação física Sandra Mara Boiko encontrou em uma das atividades que mais gosta a solução para não perder qualidade de vida, mesmo com uma doença crônica. O exercício físico é seu aliado no dia a dia em busca de uma rotina saudável. Ela tem hipercolestemia hereditária, uma enfermidade calcada em genes familiares que aumenta os níveis de colesterol sanguíneo. "Tenho 42 anos. Descobri o problema há quase dez. De lá para cá tenho feito atividades diárias. Isso ajuda a manter o colesterol em níveis aceitáveis."
Além de baixar a taxa da substância, a rotina de exercícios, garante força muscular à professora. "Tomo alguns medicamentos que enfraquecem a estrutura dos músculos. Com os exercícios, preparo meu corpo para esse processo", diz. "Com esses cuidados básicos, levo uma vida normal, sem sustos ou riscos para a minha saúde", diz Sandra Mara.



