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A fisioterapia manual é uma das etapas do tratamento sem cirurgia para hérnia de disco, uma das lesões da coluna mais recorrentes | Arquivo/ Gazeta do Povo
A fisioterapia manual é uma das etapas do tratamento sem cirurgia para hérnia de disco, uma das lesões da coluna mais recorrentes| Foto: Arquivo/ Gazeta do Povo

Intervenção

Na maioria dos casos, remédios e fisioterapia evitam a cirurgia

Somente após três meses de tratamento com medicamentos e sessões de fisioterapia o paciente deveria ser encaminhado para a mesa de cirurgia, de acordo o fisioterapeuta Helder Montenegro, dependendo ainda da perda de força e do nível da dor. "Apenas 5% das hérnias, por exemplo, precisam da intervenção cirúrgica. Ainda existe algum abuso desse recurso", diz. O ortopedista do Hospital da XV e especialista em coluna vertebral do Instituto de Conti, Décio De Conti, acredita que com menos tempo o procedimento pode ser indicado. Ele cita casos que a hérnia promove compressão dos nervos espinhais ou da medula espinhal e o paciente não responde ao tratamento em três semanas ou há alteração da função do nervo. Ele frisa que a indicação não necessariamente obriga a realização da intervenção e que o trabalho da fisioterapia aliado a remédios analgésicos conseguem manejar a maioria dos casos.

"É um tema complexo, cada caso é um caso. Mas apenas 10-15% precisam seguir para um procedimento cirúrgico", diz. As cirurgias podem ser simples, como apenas a descompressão de um disco ou em casos avançados de instabilidade na coluna vertebral, com a colocação de pinos e enxertos ósseos (artrodese). Segundo o médico, o problema é mais frequente em homens pela questão genética e por estar associado a trabalhos mais pesados, sendo a incidência maior na faixa dos 30 aos 50 anos.

Prevenção

As alterações degenerativas que levam à dor nas costas estão ligadas a diversos fatores. Má postura ao caminhar, sentar e dormir, carregar peso, obesidade, tabagismo, sedentarismo e o estresse contribuem para as lesões na coluna. Para evita-las, coloque em prática essas dicas:

Durante o dia

Evite permanecer muito tempo sentado. Procure levantar e caminhar um pouco a cada hora. Praticar atividades físicas e/ou de relaxamento é recomendado.

O que fazer: Flexionar o joelho sempre que precisar se aproximar do chão para pegar um objeto, por exemplo. Sentar em um ângulo de 90°, tanto na posição das costas entre o assento e o encosto quanto às pernas do assento ao chão.

O que não fazer: Carregar bolsas e malas muito pesadas. Abusar de sapatos com salto muito alto que inclinam o corpo para frente, desalinhando a coluna.

Ao dormir

Tenha um colchão firme. Nem muito rígido, nem muito macio. Para o travesseiro a espessura deve ser mediana, preenchendo o espaço entre o pescoço até o ombro.

O que fazer: Dormir na posição lateral com um travesseiro entre as pernas, para alinhar a coluna.

O que não fazer: Dormir de bruços, colocar o braço debaixo do travesseiro ou dormir sem travesseiro.

Um novo método não cirúrgico para tratamento de doenças da coluna desenvolvido no Brasil pode ajudar a aliviar dores que afetam boa parte da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde, oito em cada dez pessoas no mundo sofrem ou vão sofrer de dores nas costas ao longo da vida. Apesar da possibilidade da dor sumir sem intervenção médica, maus hábitos podem torná-la crônica. No país esta é a doença crônica mais comum, atingindo 36% da população de acordo com a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Para esses casos, o tratamento denominado Re­construção Músculo-Ar­ticular da Coluna Vertebral, que vem sendo desenvolvido pelo Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC) desde 2005, pode tratar as principais lesões da coluna como hérnia de disco, lombalgia, cervicalgia, dor ciática, espondilose (bico-de-papagaio) e artrose. O fisioterapeuta responsável, Helder Montenegro, também presidente da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna, explica que a base do tratamento começa pela avaliação dos sinais e sintomas do paciente.

A triagem é feita pela subclassificação das dores na coluna que define a melhor técnica ou equipamento para cada tipo de dor. "São evidências científicas, baseada em pesquisa iniciada em 1995 em Pittsburgh (EUA), divulgada e revisada nas principais publicações do segmento no mundo", afirma Montenegro. A partir do diagnóstico, o tratamento específico da dor pode ser realizado de quatro formas, individual ou conjuntamente: manipulação ou mobilização articular, mesa de tração, exercícios direcionais e estabilização segmentar vertebral estática e dinâmica. "A diferença é que não existe mais um modelo pronto, hoje há um norte", diz ele..

Montenegro diz que é preciso cuidar da saúde das articulações nas vértebras, fazendo movimentos pontuais para recuperar a biomecânica natural da estrutura. Os exercícios qualitativos para proteger e fortalecer os músculos profundos (dentro da coluna) degenerados e atrofiados são cruciais, pois são eles que têm a função de sustentar o corpo.

"A leitura correta da condição do paciente é o "X" da questão na fisioterapia. Um tratamento incorreto pode trabalhar muito pouco o local necessário e até mesmo fazer mal", conta Montenegro. Ele também adverte sobre a costumeira dica do alongamento. "Para quem tem hérnia é totalmente contra indicado. Tenha cuidado. Na dúvida, não faça. É um mito", alerta.

O fisioterapeuta acredita que algumas sessões podem resolver, mas dois meses é o tempo médio para retirar a dor, recuperar o movimento e fortalecer a musculatura. Essa última parte deve ser continuada com o pós-tratamento para manutenção, que faz parte da metodologia do programa e pode ser feito com musculação ou Pilates. "O Pilates é excelente, mas é para quem está sem problemas", diz Montenegro. Segundo ele, o exercício requer coordenação motora e espacial, e exige orientação profissional. "Se tiver com dores e fizer com má postura é como se fosse fogo próximo de pólvora", diz ele.

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