Comportamento
Anabolizantes fazem mamas crescerem
Não apenas quem tem predisposição fisiológica pode ter as mamas aumentadas. A obesidade também pode ocasionar o problema. Mas um comportamento vem sendo responsável pelo aparecimento do problema em jovens que buscam corpos esculturais nas academias: o uso indiscriminado de anabolizantes. Segundo estudo de 2009 do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), 52% dos usuários de anabolizantes passaram por ginecomastias. A pesquisa levantou também que 1,2 milhão de jovens consultados em 108 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes admitiram usar anabolizantes mais de 11 mil por cidade pesquisada.
Segundo o cirurgião Fernandes, o uso dessas substâncias é contraindicado e predispõe à formação de gordura localizada na região das mamas, que fica muito evidente e é difícil de perder. "O consumo dessas substâncias pode ser determinante para o aparecimento de câncer nessa região do corpo e resultar em perda da libido."
A procura de homens jovens pela cirurgia de redução de mama, clinicamente conhecida por ginecomastia, aumenta a cada ano. Uma pesquisa realizada recentemente pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos aponta que entre 2005 e 2008 houve um acréscimo de 21% na procura de rapazes pela cirurgia. De 20 mil pacientes do sexo masculino que fizeram a operação nos Estados Unidos, 70% (14 mil) eram adolescentes com idades entre 13 e 19 anos.
A maioria dos casos de crescimento da glândula mamária, que deixa um aspecto feminilizado, tem causa fisiológica. É provocada por oscilações de hormônios, típicas do período da puberdade, por volta dos 12 anos. Na maioria deles, o problema desaparece naturalmente, logo que o pico hormonal diminui em cerca de um ano e meio. Mas o motivo do crescimento está na pressa em solucionar o problema, que chega a transformar a vida social desses jovens, cada vez mais preocupados com os padrões mundiais de beleza e estética.
No Brasil não existe um levantamento específico, mas, segundo o cirurgião plástico Sérgio Gradowski, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é possível creditar os dados ao nosso país também. "O perfil da população brasileira e norte-americana é muito parecido e o estilo de vida também. Somente a obesidade lá é um pouco mais grave do que aqui".
Gradowski faz uma média de quatro ginecomastias por mês, a maioria em jovens de 12 a 30 anos de idade, faixa na qual jovens têm atividades que expõem seus corpos com mais frequência. "Se o jovem esperou muito tempo após o período da puberdade e a mama não reduziu, está apto a fazer a cirurgia. Esse tipo de situação gera um desconforto. Eles sentem-se discriminados pelo padrão de estética que é natural da mulher. Nessa fase praticam mais esportes, não gostam de tirar a camisa na hora do futebol, por exemplo, e também têm vergonha de fazer atividades de veraneio, como ir à praia ou à piscina somente de calção."
O tratamento não gera apenas um benefício estético, como explica o cirurgião plástico Julio Wilson Fernandes, professor da Universidade Positivo (UP). "Esse tipo de procedimento tem o objetivo de dar um aspecto adequado ao corpo, além de retirar tecidos não convenientes. Apesar de ser raro, pode evoluir para câncer de mama."
Tipos
Há três tipos de ginecomastia: verdadeira (aumento da glândula mamária), falsa (aumento de gordura) e mista (aumento da glândula mamária e de gordura). A última é a mais frequente, de acordo com especialistas. Para cada caso há um procedimento específico, que pode ser através de lipoaspiração, incisão nas axilas ou na auréola. "A cirurgia hoje é muito menos agressiva e não deixa cicatrizes. É uma das mais fáceis de realizar e a recuperação é tranquila. Os cuidados maiores são nos primeiros dez dias, nos quais o paciente deve usar uma cinta compressiva para adaptação à sua nova forma, diz Gradowski.
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