Na noite em que o Supremo Tribunal Federal consolidou sua posição como poder absoluto no Brasil, a Gazeta do Povo publicou um editorial histórico: “O fim da democracia no Brasil”. Quarenta anos depois da redemocratização, o jornal reconhece que o experimento democrático iniciado em 1985 chegou ao fim. Não há tanques nas ruas, nem ditador de farda. Mas, segundo o editorial, há algo ainda mais preocupante: um autoritarismo sutil e difuso, legitimado pela retórica de defesa da própria democracia.

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É a partir desse texto que o programa "Última Análise" discute os rumos do país. A apresentação é de Paulo Polzonoff Jr., que recebe Francisco Escorsim, Gabriel de Arruda Castro, Rodrigo Constantino e o Eduardo Matos de Alencar. Durante uma hora e meia, eles se debruçaram sobre uma pergunta para a qual não há resposta fácil: se não vivemos mais sob uma democracia, vivemos sob o quê? Uma ditadura?

Três eixos

O programa percorre três grandes eixos. O primeiro deles é a liberdade de expressão. Afinal, ao reinterpretar o Marco Civil da Internet o STF abriu caminho para uma censura institucionalizada. Expressar opinião virou risco e muitos cidadãos já preferem o silêncio à possibilidade de serem acusados de atacar a democracia. A pergunta que ecoa no debate é simples e perturbadora: pode existir democracia sem liberdade de expressão?

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O segundo eixo trata da história e da cultura democrática. Será que isso que vivemos nos últimos 40 anos pode ser chamado mesmo de democracia? E quanto à cultura democrática: descuidamos dela ou seu esgarçamento foi intencional? Ou será que o esgarçamento da democracia é uma consequência natural de instituições corrompidas?

Democracia imperfeita

O terceiro eixo aborda o impacto no cidadão comum. O editorial da Gazeta do Povo lembra que a democracia não se resume ao rito eleitoral, mas depende de direitos garantidos: imunidade parlamentar, devido processo legal e liberdade de opinião. Esses pilares ruíram. Prova disso foram os julgamentos do envolvidos no 8 de Janeiro: condenações sem individualização de conduta, prisões prolongadas, votos proferidos sem análise da defesa. A pergunta inevitável é esta: qual o efeito disso para o trabalhador, o empresário, o professor, etc.?

Em meio a tudo isso, há outros pontos dignos de nota, como críticas à própria direita. Que, diante dos abusos, começa a perder a fé na democracia. Há até quem chegue a associar a democracia... ao comunismo! O "Última Análise" faz questão de enfrentar essa visão: se a democracia não é perfeita, seria ela descartável? E, se for descartada, o que colocar em seu lugar?

Futuro

A discussão também mira o futuro. As eleições de 2026, por exemplo, são vistas como esperança. Mas qual o limite dessa esperança? Afinal, sem um Senado disposto a enfrentar o STF, qualquer vitória presidencial corre o risco de ser anulada pela toga. E há também a eterna discussão sobre a possiblidade de uma nova Constituição. Seria esse o caminho para restaurar a democracia ou apenas mais uma promessa vazia?

Por fim, fica claro que o Brasil de 2025 vive algo novo: não uma ditadura clássica, e sim um regime onde a palavra “democracia” é usada como disfarce para práticas autoritárias. A conclusão do programa é menos um veredito e mais um convite: pensar, debater e não aceitar passivamente a narrativa oficial.

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Programa-se!

O "Última Análise" especial da Semana da Pátria vai ao ar nesta sexta (5), a partir das 19h.