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Telefonia móvel

4 em cada 10 municípios do Paraná não tem sinal de celular

Segundo a Anatel, falta do serviço afeta 153 cidades paranaenses

Em pleno século 21, 153 municípios do Paraná ainda não contam com sinal de celular. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a falta do serviço atinge aproximadamente 670 mil habitantes que moram nas cidades não-contempladas pelas quatro operadoras que atuam no estado: Brasil Telecom, Claro, TIM e Vivo.

A inexistência do sinal cria situações como a do engenheiro civil Emílio Mazzochin. Ele mora na cidade de Maripá e trabalha na vizinha Palotina, na região Oeste do Paraná. No serviço há sinal para o aparelho. Mas em casa não. "A gente não sabe a quem recorrer. É um serviço de utilidade pública, mas nem todos têm acesso", diz.

Fernandes Pinheiro (Campos Gerais), com 6,6 mil habitantes, é outra cidade sem cobertura de telefonia celular, segundo a lista da Anatel. Mas em alguns pontos da cidade os aparelhos de uma determinada empresa funcionam. É o suficiente para que boa parte dos funcionários da prefeitura tenham celular e façam verdadeiros malabarismos para conseguir o sinal. O secretário de Administração de Fernandes Pinheiro, Anadir Sequinel, desliga o aparelho assim que chega ao trabalho. Dentro da prefeitura, o sinal não pega de jeito nenhum. "Às vezes fico um mês sem usar o celular. Mas tenho esperança que um dia funcione", lamenta o secretário, que usa o serviço pós-pago.

A vizinha Ipiranga, também nos Campos Gerais, mostra que embora pequeno, o público que ainda não é atendido pelo serviço de telefonia móvel no Paraná conta com um grande potencial de consumo. Há dois anos, o celular chegou ao município e virou mania. Cerca de mil aparelhos foram vendidos em dois meses. É como se um em cada 12 moradores da cidade tivesse corrido à loja.

Para Elizabeth Gardinal, o celular evitou a romaria que ela tinha de fazer quando precisava entregar um recado para o marido. Morando num sítio a 12 quilômetros do centro de Ipiranga, cada vez que queria pedir para Plínio comprar algo mais ou voltar rápido para casa, telefonava para os lugares que ele tinha dito em que iria. "Ligava na agropecuária e perguntava se ele já tinha passado por lá. Se já, ligava no próximo local e deixava recado para ligar para casa", conta.

Entrave

A falta de cobertura nas cidades de menor porte do estado já começou a mobilizar autoridades e políticos, como o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB). Na última quarta-feira, ele se reuniu com o presidente da Associação Nacional das Operadoras de Celular (Acel), Ércio Zilli, para estudar a viabilidade da universalização do celular no estado. "A Acel nos informou que o projeto é viável tecnicamente", diz.

Para o deputado, a falta do sinal de celular representa um entrave para o desenvolvimento econômico e social dos pequenos municípios paranaenses. "Segundo os cálculos que fizemos com a associação, o Paraná arrecadaria R$ 300 mil mensais em ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] se o serviço de telefonia funcionasse em todas as cidades."

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