Roger Abdelmassih (à esquerda) poderá recorrer da decisão em liberdade | Felipe Rau/AE
Roger Abdelmassih (à esquerda) poderá recorrer da decisão em liberdade| Foto: Felipe Rau/AE

A Justiça de São Paulo condenou ontem o médico Roger Abdelmas­sih, de 67 anos, a 278 anos de prisão. Ele foi considerado culpado pelo abuso sexual de 39 mulheres entre os anos de 1995 e 2008, a maioria delas ex-pacientes de sua clínica – Abdelmassih era um renomado especialista em reprodução assistida antes de ter seu registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Pau­­lo. A liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que colocou Abdel­­massih em liberdade no dia 23 dezembro do ano passado também garante a ele o direito de recorrer em liberdade.

As denúncias contra Abdel­massih, que ajudou muitas personalidades a engravidar, vieram à tona em janeiro de 2009. Ele cometeu os crimes em seu consultório, com parte das vítimas sedada. A clínica foi fechada neste ano. Segundo a juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16.ª Vara Criminal de São Paulo, não há dúvidas que o médico cometeu os crimes. "Está comprovado que o réu está a delinquir de longa data, de forma reiterada", afirmou a magistrada em sua sentença de 195 páginas. Como algumas das 39 vítimas relataram mais de um crime, havia 56 acusações contra Abdelmassih. Para cada um dos delitos consumados, a pena fixada foi de seis anos de reclusão. Os casos de tentativa de estupro, cinco ao todo, foram punidas com dois anos. O médico foi absolvido de oito acusações.

O advogado José Luis Oliveira Lima, um dos defensores do médico, disse que vai recorrer dessa decisão de primeira instância. Segundo ele, Abdelmassih ficou "profundamente abalado" com a condenação. "Nós esperávamos a absolvição", afirmou. Lima argumentou que a juíza desprezou provas, como o depoimento de 170 testemunhas que atestam a inocência do médico, e disse ter certeza de que o Tribunal de Justiça vai reverter a decisão. "Não quero dizer que ela [a juíza] se sentiu pressionada. Mas juiz é um ser humano", afirmou o advogado.

O mérito do pedido para que o réu ficasse em liberdade enquanto aguardava o julgamento deve ser analisado em duas semanas. Se houver cassação da liminar, Albelmassih deve voltar à prisão. Ele ficou preso entre agosto e dezembro de 2009.

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