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A engenheira ambiental Blanca Jiménez Cisneros (foto abaixo), da Unesco, destaca outros aspectos do reúso da água que podem facilitar o acesso ao recurso natural. Confira os principais assuntos abordados na entrevista que a Gazeta do Povo fez com a pesquisadora:

Regulamentação

Outra barreira relevante para ampliar a prática do reúso é a falta de regulamentação ou a existência de normativas excessivamente restritivas. Com a intenção de proteger a população e o meio ambiente, muitas vezes os legisladores acabam por inviabilizar a aplicação de técnicas de reúso. A qualidade da água que resultará do processo depende muito da finalidade a que se aplicará – se for para lavar calçada não precisa ser potável, por exemplo. Além disso, a legislação de um país não se adequa instantaneamente a outro. Adaptações são necessárias.

Energia

Além das potencialidades para uso direto da água, Blanca reforça que o reúso é uma ótima opção para geração de energia. Ela reforça que a geração de energia hidráulica, por exemplo, não depende de água potável. A água de uma estação de tratamento de esgoto pode usar uma queda natural na topografia local para movimentar turbinas. Também a matéria orgânica gerada nas estações pode levar ao aproveitamento de gases, como o metano.

Desigualdade

Há três categorias de carência de água: quando não há oferta (como em regiões áridas), quando a demanda é muito grande (como em metrópoles, como São Paulo, Cidade do México e Nova York) ou quando não há capacidade humana ou tecnológica para a exploração do recurso. Blanca comenta que, curiosamente, não há uma relação direta entre desigualdade econômica e dificuldade de implantar técnicas de reúso. Alguns países pobres ou em desenvolvimento acabam conseguindo instituir programas mais rapidamente, quando enfrentam carência de água.

Mudanças climáticas

Para diminuir as chances de faltar água, a melhor opção seria reduzir o consumo. Não sendo possível, o reúso aparece como uma alternativa. “Reúso é uma garantia de água sempre, sem depender de questões climáticas”, aponta. Ela comenta que o planeta está sujeito a oscilações maiores, diante de eventos extremos, como inundações e secas, que alteram a disponibilidade de água. A engenheira também explica que armazenar água para abastecimento público é um processo muito caro, principalmente com a construção de grandes represas.

Iniciativas

Blanca argumenta que as potencialidades de reúso são ilimitadas. Na Austrália, por exemplo, é usada para produzir neve em estações de esquis ou mesmo para descongelar as ruas cobertas de neve. “Não há limite para as possibilidades de reúso”, disse. No Japão, prédios com mais de 10 andares precisam reutilizar a própria água. Na maior parte das vezes, o reúso vai para descargas de privadas, para lavagem de calçadas e para regar plantas.

Custos

Levando em consideração que a água usada precisa ser tratada para ser devolvida ao meio ambiente e que os custos de tratamento não são baixos, o custo de implantação de modelos de reúso, pondera Blanca, não são necessariamente maiores do que os destinados ao tratamento. A iniciativa privada estaria se desenvolvendo mais rapidamente, em comparação com o poder público, na opinião de Blanca. Em unidades industriais, por exemplo, as estações de tratamento de esgoto (ETEs) podem ser transformadas em unidades de recuperação de água (URAs), sem gerar efluentes e colaborando para a diminuição de custos financeiros e ambientais. Pelo menos 60 países já aplicam o reúso em grande escala – o Brasil não está entre eles. (KB)

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