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Mirim Doce (SC) - Às 23h45 de sexta-feira, 21 de janeiro, o empresário Orli Adriano ligou para a prefeita da pequena Mirim Doce (a 237 quilômetros de Florianópolis) para avisar que uma chuva sem precedentes caía sobre sua casa no alto da Serra Velha, a 40 km da área urbana, e que deveria encher em poucas horas o normalmente calmo Rio Taió, que corta a cidade.

Durante a madrugada, foi disparado um sistema de alerta baseado em telefonemas, boca a boca entre vizinhos e o único policial militar da cidade circulando com um megafone aos gritos de "salvem suas vidas".

Por volta das 6 horas do sábado, com a população acordada, a correnteza do rio invadiu a cidade, levou casas e carros e deixou tudo debaixo de até dois metros de água. Ninguém morreu nem ficou gravemente ferido.

Com apenas 2,5 mil habitantes, Mirim Doce é a única ci­­dade afetada pelas chuvas em Santa Catarina que decretou estado de calamidade pública. As estimativas iniciais são de R$ 12 milhões em prejuízos, parte deles nas lavouras de arroz de uma cidade que se intitula a "capital do melhor arroz". "Foi um tsunami em terra firme", relata o vereador Valdir Men­garda (PT). Ele atribui a ausência de mortes à enxurrada ter chegado de manhã: "Se fosse duas horas antes, metade do povo teria morrido".

Moradores dizem que tiveram mais prejuízos porque demoraram a acreditar no alerta informal, já que Mirim Doce nunca havia sido atingida por enchentes. A prefeita Maria Luiza Liebsch (PMDB) disse que a memória da tragédia de 2008 – quando 135 morreram em todo o estado – teve pouco efeito devido à distância do epicentro da destruição da época: cerca de 180 quilômetros.

Segundo Liebsch, choveu 179 mm nas 12 horas que antecederam o transbordamento do rio. "É o imponderável. O que você vai fazer contra a força da água?"

O empresário Ademar Santos, 45, que perdeu uma casa que ainda pagava, contou que a enchente veio em um momento em que a cidade vivia um clima de otimismo, com a instalação de quatro malharias. Todas foram destruídas pelas águas. A Serra Velha, de onde partiu o alerta amigo que evitou a tragédia, continua com 40 famílias isoladas e é abastecida por helicópteros.

Balanço

Subiu para 70 o número de cidades que decretaram estado de emergência em Santa Catarina por causa das chuvas que atingiram a região nos últimos dias. Em Mirim Doce, o estado é de calamidade pública. Segundo balanço da Defesa Civil do Estado, cerca de 26 mil pessoas de 80 cidades estão desabrigadas e desalojadas, 162 se feriram e cinco morreram, das quais duas são crianças arrastadas pela força das águas. Segundo o boletim, 930 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas no estado.

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