Cinquenta tons de cinza na Rua Viligran Cabrita, no Boqueirão| Foto: Henry Milléo/ Gazeta do Povo

Remendos

Asfalto retalhado na região sul dificulta a vida de moradores

Os remendos no asfalto formam uma colcha de retalhos. Ao dirigir, além de desviar dos buracos, é preciso ter atenção ao fluxo de pedestres, já que não há calçadas. Essa situação foi verificada pela reportagem da Gazeta do Povo em dezenas de ruas nos bairros Hauer, Xaxim e Boqueirão.

Na Rua Cezinando Dias Parede, no Boqueirão, uma situação inusitada. A Rua Desembargador Antônio de Paula separa a via em duas: de um lado, asfalto lisinho; de outro, um piso esburacado que dificulta a locomoção. Na ruas Tenente Coronel Viligran Cabrita, no Boqueirão, e Osni Silveira, no Xaxim, a situação era semelhante: os muitos tons de cinza em toda a extensão da via indicam que o problema é antigo.

No Hauer, a Rua Padre Dehon chama a atenção pela quantidade de remendos. A via paralela, Rua Oliveira Viana, está ali, a poucos metros, e com uma cobertura impecável. Tatiane de Souza Hirata trabalha em uma quitanda na rua esburacada e reclama. "Prometeram que iam arrumar, mas nada", diz. Na Rua Simão Kossabudski, no Boqueirão, é a mesma coisa. Ali, os buracos só ajudam o negócio de Cícero Luiz Zago, 39 anos, dono de uma oficina mecânica. (FT)

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R$ 4 milhões

por km é o que custa uma pavimentação de excelente qualidade – para trânsito pesado, incluindo obras em calçadas, galerias pluviais, iluminação e sinalização. O pavimento alternativo sai por R$ 1 milhão.

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Com muitas de suas ruas sem calçadas e repletas de buracos, Curitiba desafia pedestres e motoristas diariamente. Parte da culpa é do antipó, presente em mais da metade das vias da cidade, de acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). O pavimento de baixa qualidade incomoda muitos moradores e enerva os que estão atrás do volante.

Entre 2002 e 2011, a malha viária da capital aumentou em cerca de 440 quilômetros. No período, 300 quilômetros de ruas foram cobertos com antipó. Com asfalto, 140. Os dados também mostram que, agora, menos vias na cidade estão sem nenhum tipo de pavimentação: o saibro, que define um tipo de quadra de tênis, mas que também indica ruas de terra batida, tem diminuído.

Mas o "avanço" é desigual. Entre as nove regionais da cidade, é no sul que o asfalto é mais difícil de encontrar. Na regional do Pinheirinho, que engloba cinco bairros, 21,6% das vias ainda têm cobertura de saibro. Nas regionais do Boqueirão e Bairro Novo, há predomínio do antipó, em mais de 70% das vias. O asfalto só é maioria na regional matriz, que concentra todos os bairros da área central.

Polêmica

Enquanto o Ippuc aponta que o antipó está em cerca de 60% das vias da cidade, a Secretaria de Obras informa que desde o início da década de 1990 as ruas da capital não recebem mais o Tratamento Superficial Betuminoso (TBS), nome oficial do pavimento. De acordo com Mário Padovani, diretor do departamento de pavimentação da secretaria, ele foi substituído pelo "pavimento alternativo", mistura asfáltica com uma camada de brita menor que o asfalto de alto tráfego. "O antipó foi uma solução paliativa que durou uns 40 anos, mas está numa fase de declínio total. A manutenção é muito cara e é mais fácil investir mais e fazer um pavimento melhor", afirma.

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Para o professor do doutorado de Gestão Urbana da PUCPR Fabio Duarte, a prioridade do asfalto deveria ser para as vias onde trafegam ônibus, já que o material é resistente e maleável às mudanças de temperatura. O aumento da impermeabilização das vias e calçadas, devido à maior quantidade de asfalto, também serve de alerta para os problemas de drenagem. "Continuar com essa pavimentação, que para a população é melhor, implica em reestudar a drenagem. Caso contrário teremos problemas", avisa o professor do departamento de transportes da UFPR Eduardo Ratton.