A única praça do bairro foi construída em terreno doado por uma construtora| Foto: Gilberto Abelha/ Jornal de Londrina

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Projetos propõem empreendimento com múltiplos serviços

Cinco projetos propostos por estudantes do último ano de Arquitetura da UEL foram escolhidos para dar novas características à Gleba Palhano. Todas as ações têm como base a construção de um empreendimento comercial em uma área de 4 hectares, o equivalente a duas quadras da Palhano, perto da rodovia PR-445. Os empreendimentos abrigariam torres com serviços, restaurantes, academias, apart hotéis, entre outros estabelecimentos.

A aluna Bárbara Rahisa Ribeiro Furlan, de 21 anos, comenta que o grupo em que atuou teve a preocupação de pensar em uma proposta que fosse viável para construtoras, do ponto de vista comercial. Os estudos da UEL consideram as mudanças a partir de incentivos para os envolvidos. Uma das possibilidades para quem investisse no empreendimento projetado seria a transferência do direito de construir em outras áreas e aumento do potencial construtivo ou mesmo isenção de tributos.

Hoje, no entanto, nenhuma destas opções está disponível em Londrina. Segundo a chefe do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Inês Dequesch, as alternativas são interessantes, mas é preciso aprovar mudanças no Plano Diretor e na Lei de Uso e Ocupação do Solo do município (AL).

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Uma região de edifícios altos, distribuídos por lotes de até 10 mil metros quadrados, mas sem espaços livres para convivência fora dos condomínios. Essa é uma das principais características da Gleba Palhano, bairro onde estão alguns dos imóveis mais caros de Londrina, no Norte do estado. A falta de áreas públicas e equipamentos de saúde e educação levou estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) a desenvolverem propostas para remodelar o local. A meta é oferecer, por meio de um mix de serviços, mais qualidade de vida a quem mora na Palhano ou em seu entorno.

Apesar de os condomínios oferecerem áreas de lazer, o bairro conta hoje com apenas uma praça, construída em terreno doado por uma construtora. Segundo a chefe do Departamento de Arquitetura da UEL, Denise de Cássia Rosseto Januzzi, a demanda por um projeto de remodelação veio da própria comunidade. Moradores procuraram a universidade para questionar como poderiam ter áreas de uso comum em um bairro em que só existem espaços privados. O desafio foi lançado e os futuros arquitetos da UEL se debruçaram sobre possíveis alternativas.

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"Vemos na Gleba Palhano um padrão muito repetitivo, prédios grandes com muros altos, uma implantação sempre igual, fora até da escala humana, sem lugar para postos de saúde, creches, praças", avalia Denise.

Estereótipo

A arquiteta observa que foi criado um estereótipo de que todos os moradores do bairro têm poder aquisitivo elevado e que, por esse motivo, não necessitariam de espaços públicos ou mais serviços. Com isso, afirma, o que se vê são pessoas tendo de cruzar a cidade todos os dias para levar crianças para a escola ou simplesmente ir à academia. "Trabalhamos com o pressuposto de reunir vários serviços em um empreendimento, para evitar esses deslocamentos", diz.

As condições de vida na Gleba Palhano, reforça a arquiteta, afetam também bairros no entorno. Do ponto de vista urbanístico, é preciso que haja uma integração saudável e que a Palhano se torne local atrativo também para quem não vive ali. "A área não pode ser isolada. Se tiver só comércio, depois das 18 h fica deserta. Se tiver só residências, as atividades ficam distantes. O bairro precisa de vitalidade", sustenta.