Os moradores do pacato bairro Residência, em Vassouras, no interior do Estado do Rio, nunca imaginaram, mas o muro de quase 2,5 metros da casa 167, na rua Alírio Jordão, era mais do que uma proteção. Atrás dele, funcionava uma verdadeira prisão de segurança máxima.

Por cerca de quatro anos, o local foi o cenário de tortura e sofrimento para Blanca Isabel Figueroa, 37. Ela vivia em cárcere privado, sendo constantemente estuprada e humilhada na frente de seus três filhos.

Segundo a polícia, o torturador era o próprio marido, Márcio Luiz Neves Ribeiro, 38, com o qual ela estava casada havia quase 17 anos.

A história de amor, que começou durante uma viagem de Ribeiro à Argentina, havia se transformado em um conto de terror e caminhava para um fim trágico, não fosse a coragem da filha de 13 anos. Ao ver o pai estrangular a mãe, decidiu denunciá-lo.

A filha procurou a polícia porque temia que Blanca fosse assassinada. Segundo testemunhas, o marido negou qualquer problema com a mulher assim que os policiais chegaram. Mas quando a PM quis falar com ela, o marido resistiu.

Os agentes precisaram solicitar reforço para entrar na residência. Somente para imobilizar e algemar o marido, que é faixa preta de jiu-jítsu, foram necessários seis militares.

Gritos de Socorro

Vizinhos relataram à reportagem que por diversas vezes já haviam escutado brigas e pedidos de socorro. Por três ocasiões a polícia já havia sido acionada, mas em nenhuma delas a situação havia sido descoberta.

De acordo com uma moradora, que preferiu não se identificar por ter medo de Ribeiro, em muitas ocasiões as brigas eram abafadas por músicas. “Era muito comum ouvirmos gritos, brigas e de uma hora para outra começava a tocar um som extremamente alto dentro da casa. Mesmo assim ainda dava para escutar a gritaria. Ele aumentava o som para que ninguém ouvisse eles brigando” afirmou a moradora.

Segundo os moradores, o sistema de segurança da casa era tão rígido, que nem mesmo os portões podiam ser abertos. Para irem e voltarem do colégio, os três filhos do casal precisavam pular o muro. “Era muito triste ver pelo que passavam” declarou outro vizinho.

Na manhã desta sexta-feira (25), Blanca caminhou pela rua onde mora. Ao encontrar uma vizinha, não conteve as lágrimas e, emocionada, agradeceu pelas tentativas de ajuda.

Segundo essa vizinha, a mulher deve voltar para a Argentina. “Ela veio, perguntou se poderia me dar um abraço e agradeceu por termos tentado ajudá-la. Disse que a real heroína era a filha dela. ‘Minha filha salvou minha vida’, falou para mim.”

O marido permanece sob custódia da 95ª DP (Vassouras). Ele deve ser encaminhado para um presídio em Volta Redonda, também no interior do Rio, ou para o complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste da capital fluminense.

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