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As várias Londrinas

Conheça um pouco da história dos oito distritos que pertencem ao município do Norte paranaense

  • Daniel Costa, da sucursal
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TOPO

Irerê - O primeiro distrito

- Data de criação: 10/10/1947

- Distância da área urbana de Londrina: 25 km

- Área: 135.955 m²

- População: 2.317 - 1.421 no núcleo urbano e 896 na zona rural

Primeiro a se tornar distrito de Londrina, em 1947, Irerê cresceu e declinou com o café. Em algumas fazendas chegaram a morar cerca de 120 famílias: pessoas de todos os estados eram atraídas pelos cafezais. Luiz Januário, 80 anos, é um dos que veio de fora. Largou Minas Gerais e chegou em Irerê com a família para plantar café, aos 16 anos. “Trabalhei muito derrubando mato e abrindo lavouras”, conta. Aos 21 anos, ele trocou a roça pelo balcão de um bar que comprou. Ali, já está há cerca de 40 anos – hoje o estabelecimento funciona dentro do pequeno terminal urbano.

Irerê tem pouco mais 2 mil habitantes e, apesar de pequeno, amarga o segundo pior rendimento mensal entre os distritos, com R$ 682,79.

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Warta - Dos poloneses

- Data de criação: 14/12/1953

- Distância da área urbana de Londrina: 32 km

- Área: 27.730 m².

- População: 1.555

No começo da colonização de Londrina, na década de 1930, o engenheiro Inácio Szankoski, da Companhia de Terras do Norte do Paraná, reservou a área mais ao Norte da cidade para ser colonizada por imigrantes poloneses. Estes, ao perceberem que as terras do Paraná eram mais produtivas, estabeleceram residência.

O primeiro lote de terra foi comprado por Eduardo Cebulski, em 1932. No começo da década de 40, cerca de 30 famílias polonesas habitavam a localidade. O nome Warta, que significa “que tem valor”, se refere a um rio da Polônia.

Ali também cresceram as lavouras de café, mas com um diferencial: todas são pequenas propriedades que existem até hoje. Com a crise do café, agricultores como Eloy Müller, 63 anos, aprenderam a diversificar o cultivo.

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São Luiz - Pioneiros ingleses

- Data de criação: 11/06/1951

- Distância da área urbana de Londrina: 32 km

- Área: 668.600 m²

- População: 1.593

Na história contada entre os primeiros moradores, o distrito de São Luiz seria mais velho que a cidade de Londrina. Antes mesmo da chegada da Companhia de Terras no Norte do Paraná, nesse lugar já haveria safristas – produtores rurais sem o documento de posse da área. A presença de espécies nativas, como palmito, figueira e peroba, ajudou a atrair os produtores de café. A explicação era simples: onde havia essas árvores, a incidência de geadas era menor. Com a mata ainda virgem, os primeiros cafezais cresceram sob a proteção dessa vegetação.

Nos tempos áureos do café, São Luiz tinha um alto índice populacional, o que impulsionou o crescimento do comércio local, como conta o morador Antonio Delmonaco, mais conhecido como Totonho, 56 anos. Ele abriu uma pequena venda no distrito em 2005, levando para as crianças dali a oportunidade de, pela primeira vez na vida, comer iogurte. “Em uma semana vendemos o estoque de um mês, e olha que nem faz tanto tempo assim”, diz.

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Lerroville - O mais distante

- Data de criação: 10/10/1947

- Distância da área urbana de Londrina: 50 km

- Área: 298.590 m².

- População: 3.775

Quando José Alves Machado, o Machadinho, aos 12 anos, chegou à região do distrito de Lerroville, só encontrou pés de samambaia. Corria o ano de 1946. Ele conta que a primeira “venda” foi inaugurada somente cinco anos mais tarde. Machadinho veio de São Jerônimo da Serra, Norte do Paraná, com a mãe e os irmãos para trabalhar nas roças de café. “Isso aqui não tinha nada. Nunca imaginei que o distrito ia se transformar tanto. Hoje, é uma pequena cidade.” Chamada de Londrinópolis, a região passou a ser conhecida pelos moradores como “placa”: sem infraestrutura, a única coisa que existia era uma placa indicando o caminho para a Usina Hidrelétrica do Apucaraninha. A partir da década de 1950, quando o engenheiro Nicolau Lerro, com documentos de propriedade das terras, começou a lotear terrenos, a localidade passou a ser chamada de Vila do Lerro. Depois do assassinato do engenheiro, motivada por discussão de terras, um filho dele resolveu homenageá-lo e nomeou o lugar de Lerroville.

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Maravilha - Só 986 moradores

- Data de criação: 02/09/1977

- Distância da área urbana de Londrina: 26 km

- Área: 124.806 m²

- População: 986

Pelo Censo de 2010, apenas 986 pessoas residem em Maravilha. O problema é que, quem vive na parte urbana, costuma trabalhar em Londrina, o que deixa o lugar, durante a semana, com uma sensação de cidade deserta. “De madrugada, os ônibus saem lotados e a cidade fica sem ninguém. O movimento é grande mesmo somente no fim de semana”, conta Alzira Paduan, que deixou Bebedouro (SP) ainda menina porque a família migrou para ali. O marido dela, Idazílio, chegou a Maravilha porque ouviu pela rádio de Itápolis (interior de São Paulo), que ali corria muito dinheiro. “Um sitiante de São Paulo tinha uma propriedade aqui e vim para abrir e trabalhar ‘de a meio’ [com resultados divididos em partes iguais]. Queria uma vida melhor para meus pais”, relata.

Hoje com 80 anos, Idazílio conta que passou os primeiros 18 meses no distrito apenas derrubando mato. “Cortei muita árvore para abrir o sítio”, diz.

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Espírito Santo - O da Venda dos Pretos

- Data de criação: 20/07/1994

- Distância da área urbana de Londrina: 15 km

- Área: 184.924 m².

- População: 2.886

“Meu pai comprou com muito sacrifício de um caboclo e pediu para eu não vender”. Há 20 anos, no leito de morte do seu pai, Izolina Maria de Jesus Francisco, 73 anos, fez uma promessa: não se desfazer da Venda do Alto, mais conhecida como a Venda dos Pretos. O local está com a mesma família há 60 anos e foi um dos poucos comércios que resistiram à crise do café, que também atingiu a região. Hoje é ponto de referência aos moradores, que coletam cartas, contas de energia e de água deixadas no estabelecimento. “Essa é a felicidade que eu tenho. Todo fim de semana, a casa fica cheia de amigos”, diz Izolina. Para quem vive ali, o imóvel é patrimônio histórico, mesmo sem o tombamento oficial pelo município. O distrito foi o último criado, em 1994. Como há conflitos entre as áreas do distrito e de Londrina, a contagem populacional do Espírito Santo é incluída na da cidade.

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Paiquerê - Do rami para o milho

- Data de criação: 21/12/1964

- Distância da área urbana de Londrina: 35 km

- Área: 211.958 m²

- População: 2.995

A terra roxa, de ótima qualidade produtiva, atraiu muitos produtores rurais para o distrito de Paiquerê. No início da década de 40, surgiram as primeiras fazendas de café, mas, com a geada negra da década de 1970, os pés foram substituídos pelas plantações de rami – planta usada pela indústria para a fabricação de tecidos – e, posteriormente, pelo algodão. O presidente da Associação de Moradores do Distrito de Paiquerê, Josias Pereira da Silva, 55 anos, conta que até 1996 o trabalho na lavoura ainda era representativo. A partir dessa época, as pequenas propriedades foram desaparecendo, se transformaram em grandes propriedades e passaram a plantar soja e milho. “Com o fim do rami e do algodão, os trabalhadores foram se distanciando do campo e a fonte de renda ficou restrita ao que as pessoas recebem trabalhando na cidade”, afirma. Paiquerê é o terceiro distrito mais populoso de Londrina. A elevação populacional é consequência da construção de aproximadamente 150 casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida.

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Guaravera - O lugar da calmaria

- Data de criação: 11/06/1951

- Distância da área urbana de Londrina: 44 km

- Área: 177.305 m²

- População: 3.935

Do balcão de sua padaria, Jese de Oliveira, 68 anos, relembra com nostalgia do tempo que em Guaravera era movimentado. “Você via nas esquinas mais de 100 pessoas esperando os caminhões para irem à lavoura. O café movimentava muitas pessoas, com isso, tinha mais estabelecimentos comerciais. Agora está tudo uma calmaria.” A paixão do padeiro pelo distrito começou há 40 anos. Na ocasião, ele veio visitar dois irmãos que já tinham uma padaria em Guaravera. A visita fez Jese deixar Belo Horizonte. “Meu irmão sempre foi um padeiro de mão cheia. Nossos pães foram caindo no gosto e chegamos a fornecer o produto também para São Luiz, Irerê e Paiquerê”, conta. Com o declínio do café e uma população formada em grande parte por colonos, porém, a localidade se esvaziou com o êxodo das lavouras, que se iniciou na década de 1970. Atualmente, todas as manhãs, aproximadamente 800 pessoas enfrentam mais de 40 quilômetros para trabalhar em Londrina.

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