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Região metropolitana

Ataque a bomba mata mulher e deixa dois feridos em Rio Branco do Sul

Entre as vítimas está um menino de 11 anos de idade. Crime lembra ações de uma gangue de Quitandinha, cujos integrantes foram presos em janeiro

Casa ficou completamente destruída após o ataque a bomba | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Casa ficou completamente destruída após o ataque a bomba (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Uma mulher de 48 anos morreu e duas pessoas – entre elas uma criança de 11 anos – ficaram feridas após a explosão de uma bomba, na madrugada desta quinta-feira (5), no município de Rio Branco do Sul, região metropolitana de Curitiba. De acordo com a Polícia Militar (PM), o crime ocorreu por volta das 4h30, na Rua Manoel Bandeira, no Jardim Papanduva. O artefato teria sido atirado por um grupo de quatro homens em direção à casa onde as vítimas estavam, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). A polícia acredita que o motivo do crime seja acerto de contas entre bandidos.

De acordo com relato de testemunhas à polícia, os criminosos estavam em um Astra prata. Eles teriam dado tiros na janela do quarto de casal e, em seguida, atirado, na garagem da residência, um artefato explosivo, que destruiu metade do imóvel. Uma equipe da PM chegou a fazer buscas pela área, mas não encontrou o veículo.

No momento do incidente, quatro pessoas estavam na casa. Valdimir Martins Vidal, de 48 anos, não chegou a se ferir. Rute Cordeiro Vidal, de 48, Vágner Tomas Vidal, de 22, e um menino de 11 foram encaminhados ao Hospital Municipal de Rio Branco do Sul. Rute não resistiu aos ferimentos e morreu quando era transferida para o Hospital Cajuru, em Curitiba. A mulher apresentava uma perfuração tórax, mas a polícia não sabe informar se foi por um disparo de arma de fogo ou por estilhaços em razão da explosão. Uma perícia deve identificar qual foi o real motivo da morte.

A informação inicial da PM era de que Vágner e a criança haviam sofrido ferimentos graves, mas, de acordo com a Sesp, ambos tiveram apenas lesões consideradas leves.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Rio Branco do Sul e pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). De acordo com o delegado da cidade, Kleudson Tavares, o veículo utilizado pelos quatro homens foi encontrado durante a manhã, pela polícia, no Bairro Alto, em Curitiba. O carro teria sido roubado de madrugada, pouco antes do crime. No roubo, o dono do carro foi levado e deixado na cidade de Almirante Tamandaré, também na região metropolitana, segundo a polícia. O automóvel passará por perícia, e o proprietário será convocado para prestar depoimento. De acordo com o delegado Tavares, o motorista do carro foi deixado no caminho a Rio Branco do Sul, quando o grupo já se encaminhava para jogar a bomba.

Tráfico de drogas

A principal linha de investigação da polícia diz que o crime está ligado ao tráfico de drogas, segundo informações da Sesp. De acordo com a secretaria, a suspeita se deve ao fato de que a família de Valdimir Vidal já teria tido envolvimento com drogas. Os cinco irmãos de Vidal foram assassinados nos últimos anos, e ele já teria cumprido pena por homicídio e latrocínio (roubo seguido de morte), de acordo com a polícia.

"O Valdimir tem uma ficha criminal bastante extensa", afirmou o delegado Tavares. Valdimir Martins Vidal chegou a ser preso quando a polícia chegou ao local onde a bomba foi jogada, na manhã desta quinta-feira, em cumprimento a um mandado de prisão expedido contra ele em maio de 2008. No entanto, durante a tarde Vidal foi solto por causa de um habeas corpus.

Eliel Machado dos Santos, de 23 anos, sobrinho de Vidal, também foi preso depois de ter sido reconhecido por policiais como autor de um assassinato em 2004. "Reconhecemos eles no momento em que chegamos a casa", reforçou o delegado Tavares. Santos segue preso.

A polícia já descartou a possibilidade de ter sido um artefato bélico utilizado no atentado. "O perito nos adiantou que foi um artefato comercial, mas somente o laudo do Instituto de Criminalística vai confirmar que tipo de material foi utilizado", definiu o delegado Tavares. Continuam as investigações para prender os autores do ataque a bomba. "Já temos indícios de suspeitos", garantiu o delegado.

Ataques incendiários

O caso de Rio Branco do Sul lembra as ações de uma gangue de Quitandinha, também na região de Curitiba, que teve os integrantes presos no dia 20 de janeiro. O grupo fez quatro ataques com bombas caseiras entre o final do ano passado e o início deste ano.

O último e mais cruel crime da gangue foi na noite de 20 de janeiro, quando um coquetel molotov - bomba caseira incendiária geralmente composta de uma garrafa de vidro, material inflamável e um pavio - destruiu uma casa e fez seis vítimas, entre elas, um bebê de 9 meses. Nayane Sodré, 19 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu nove dias depois.

Algumas horas após esse ataque, a PM apreendeu um adolescente de 16 anos e prendeu o lavrador Luiz Fernando da Silva Quepe, 22, e o cantor de música sertaneja Gilmar Colaço dos Santos, 30.

O adolescente está em uma unidade socioeducativa de Curitiba, onde deve passar por avaliações periódicas até a Justiça entender que ele está apto a voltar ao convívio social. Um terceiro homem chegou a ser investigado, mas a polícia descartou a participação dele nos crimes.

No dia 12 de fevereiro, em entrevista coletiva, o delegado Hertel Rehbein, que comandava as investigações, afirmou que o caso estava encerrado.

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