Se o dono do cão recebe muita gente em casa, ter um canil é imprescindível| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Casos

Três ataques de cães ocorridos no mês de agosto no Paraná chamaram a atenção pela violência com que os animais agrediram as vítimas. Veja os detalhes:

Vinte cães

No Núcleo Bortolo Borsato, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a cozinheira Vanessa Rocha, 24 anos, foi atacada por 20 cães pertencentes ao vizinho dela. O ataque ocorreu no dia 16 deste mês. A jovem, que foi ferida quando voltava do trabalho, foi socorrida por vizinhos. Os socorristas do Siate a encaminharam ao Hospital Municipal. Ela levou 60 pontos na cabeça e alguns pontos nas pernas. Um dia depois do ataque, concedeu entrevista à Gazeta do Povo. "Estou com medo de sair na rua, quando passei onde eu fui atacada, fiquei com muito medo", disse. O delegado titular do distrito, Marcus Sebastião, disse que pode indiciar o dono dos cães por lesão corporal culposa (sem intenção).

Garoto

No dia 21, um cachorro atacou um menino de 5 anos no bairro Parolin, em Curitiba. Antes de o Corpo de Bombeiros chegar ao local, os vizinhos encaminharam a criança ao hospital. O rosto do garoto foi dilacerado e ele precisará passar por uma cirurgia de reconstrução da face.

Pit bull

No dia 23, um homem de 57 anos foi morto por um cachorro da raça pit bull, no bairro Abranches, em Curitiba. O cão, que pertencia à irmã da vítima, mordeu o pescoço do homem. De acordo com o delegado Jairo Estorilio, titular do 4.° DP, a vítima, além de estar embriagada, teria mexido com o animal. "Ele teria manuseado o cão, que agiu de forma ríspida e o atacou. Na casa estava a mulher e dona do cachorro e o filho dela, que também presenciou o ataque". Ontem, a proprietária do cão foi indiciada por homicídio culposo.

Colaborou: Rodrigo Batista e Maria Gizele da Silva, da sucursal em Ponta Grossa.

CARREGANDO :)

Na última semana, três ataques de cães ocorridos no Paraná chamaram a atenção para os riscos de se ter um animal de grande porte em casa e os cuidados que os donos devem ter para não colocar a sua integridade física e a de outros em perigo. Em um dos casos de ataques, um homem de 57 anos, morador do bairro Abranches, em Curitiba, acabou morrendo.

Segundo Márcio Schoenau, adestrador especialista em comportamento animal, os donos dos animais precisam estar preparados para lidar com a responsabilidade. "No Brasil não é muito difundido, mas quando você compra um cão você entra na posição de responsável. Portanto, você precisa estar ciente de tal responsabilidade", pontua.

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A primeira recomendação é referente ao local onde o animal vai ficar. "O cachorro, primeiramente, precisa ter espaço em casa para fazer exercícios e correr de um lado para o outro", explica Schoenau. Se o proprietário recebe muitos amigos ou familiares, é imprescindível a presença de um canil. "Assim, quando a visita chegar, é só colocar o cão lá."

Quanto à segurança, é recomendado, de acordo com o adestrador, ter muros altos e grades resistentes. "Tem que ser bem resistente mesmo, pois se ele fugir, com certeza terá algum incidente."

Fuga

Caso o cão fuja, ele irá atrás de "estereótipos", comenta Schoenau. O que é isso? Um menino uniformizado com calça azul e camiseta branca que sempre passa pelo portão e mexe com o cão, por exemplo, é um tipo de "estereótipo". "O cão tem instinto natural e algumas coisas são gravadas no cérebro. Se ele fugir, ele irá atrás de alguém com esse perfil." É por esse motivo, diz o adestrador, que não se deve irritar os animais. "Foi exatamente isso que ocorreu no Zoológico de Cascavel, no fim de julho", relata o especialista. O tigre, se sentindo acuado, atacou o garoto, de 11 anos, que acabou tendo o braço amputado.

Como os cães acumulam muita energia, é recomendado que o proprietário tenha um terreno com espaço ou então leve o cachorro para caminhar – ou até correr – todos os dias. "O bicho precisa gastar sua energia. Recomendo um passeio diário de 45 a 50 minutos por dia", diz Schoenau.

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Sangue frio

Agora, se você encontrar um cão na rua, não se desespere. É possível, de acordo com o adestrador, sair ileso da situação. "Sei que é difícil, mas é necessário ter sangue frio, ficar parado, olhar para o céu e cruzar os braços. Ele vai te cheirar e, provavelmente, te derrubar. É apenas o instinto de caça dele", conta. Correr não adianta. Isso só vai despertar ainda mais o instinto de caça do animal.