Viver perto de aterros sanitários, especialmente os que receberam produtos como tintas, pilhas e pneus, como na Caximba, pode fazer mal à saúde: de aumento dos problemas respiratórios a complicações na gestação. Dois estudos da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostram a correlação. Em Ava­liação de aspectos de saúde e geoambientais de aterros de resíduos sólidos, Claudio Fernando Mahler sugere o risco de anomalias nas gestações, especialmente para quem vive a menos de três quilômetros do aterro.

Mahler relata que no município de Paracambi (RJ), onde havia um aterro sanitário, a média de óbitos por doenças do aparelho respiratório foi três vezes maior do que a encontrada em municípios vizinhos. A advogada Mara Freire Rodrigues de Souza, do escritório Ro­­drigues de Souza Advogados Associados, diz que as legislações ambientais mais recentes impedem a destinação de pilhas e pneus em aterros. "Entretanto, os danos já causados à comunidade não foram até o momento quantificados e muito menos compensados", afirma.

No trabalho Resíduos tóxicos industriais organoclorados, Agnes Soares de Mesquita sugere o aumento relativo de abortamentos espontâneos e de recém-nascidos de baixo peso na população. Mesmo considerando o aterro sanitário uma forma de controle segura das ocorrências, Agnes considera "o controle dos danos ambientais um dos maiores desafios da saúde pública", argumenta. Ambos os estudos, porém, ressalvam que não conseguiram comprovar os fatos, mas mostram a necessidade de mais estudos sobre o tema. Na Ca­­ximba, os moradores realizaram uma pesquisa informal que aponta para uma alta incidência de abortos.

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