A estrutura redonda de metal e vidro lembra um grande leque, símbolo da cultura japonesa, mas de longe o prédio parece um navio, meio de transporte usado pelo povo oriental para chegar ao Brasil| Foto: Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

Recursos

Caixa e ex-secretária divergem sobre motivos para o atraso das obras

Marilza Dias, que ocupava o cargo de secretária municipal de Meio Ambiente na gestão anterior, afirma que aconteceram atrasos da destinação dos recursos federais para a obra. "A etapa de paisagismo, por exemplo, ficou oito meses sem nenhum repasse", comenta. Por sua vez, a Caixa Econômica, gestora do dinheiro, informa que liberou R$ 2,4 milhões. A assessoria de imprensa do banco acrescentou que os recursos só são depositados para a prefeitura mediante comprovação do andamento da obra.

Marilza conta que a prefeitura investiu recursos próprios para dar andamento à obra e inaugurá-la no final de 2012. O procedimento teria sido encaminhado, garante ela, para que tudo estivesse pronto em janeiro. Ela destaca que o objetivo foi a revitalização de uma região degradada. "Aconteceu a retirada das famílias que estavam em área de risco. O parque foi pensado como um local para a realização de eventos, mas também é um ponto para conter enchentes e que marcou a recuperação de margens do Rio Iguaçu", enfatiza.

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R$ 38 milhões é o custo deste que será o 24º parque de Curitiba, com 385 mil metros quadrados e lagos contornados por pista de caminhada. Fica no caminho de acesso ao Aeroporto Afonso Pena.

A placa existe, o parque ainda não

Não é de hoje que as obras no Parque da Imigração Japonesa estão em desacordo com o planejado. Já são mais de quatro anos de atraso. O plano inicial era de que a estrutura ficasse pronta em 2008, para as comemorações do centenário da chegada do povo asiático ao Brasil. Contudo, as obras só começaram em 2010. E mesmo inaugurado, com placa de oficialização e tudo, correntes improvisadas impedem o acesso dos visitantes à sede do lugar. A estimativa atual é de que o parque esteja concluído apenas em 2014.

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De acordo com o superintendente da Secretaria Municipal de Meio Am­­biente, Alfredo Trin­­da­­de, 12% da obra ainda não estão prontos. Basicamente, faltam vidros e o sistema de climatização. Mas não será rápido preencher as lacunas. Como o contrato com a empreiteira responsável foi rompido, será necessário cumprir o processo burocrático de escolha de uma nova empresa. "A previsão é de que as obras comecem em setembro e que o parque fique pronto no ano que vem", diz. A preocupação em manter vigilância, com guardas municipais, e cuidados com o projeto de paisagismo evitaram a imagem de abandono e atos de vandalismo.

Caminhada

O investimento para criar uma nova estrutura de lazer e embelezar a região, às margens do Rio Iguaçu, na ligação entre São José dos Pinhais e Curitiba, está em R$ 3,8 milhões. O recurso é do Ministério do Turismo, com contrapartida da prefeitura. "O lugar é bonito, mas teria que ser para a população usar", comenta Percy Cordeiro dos Santos, presidente da Associação de Moradores do Icaraí, vila que fica a poucos metros da obra. Cordeiro conta que a população continua usando outro parque, nas imediações, para fazer caminhadas. "Ali fica deserto. É perigoso", explica. Ele também reclama da inexistência de uma academia ao ar livre seme­­lhante às instaladas em outros pontos da cidade e de um local para venda de água e lanches.

Como é

O 24º parque de Curitiba tem 385 mil metros quadrados e lagos contornados por pista de caminhada. Além de espaço de lazer, deve ser um cartão de visitas para quem chega à cidade pelo aeroporto Afonso Pena.

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Uma estrutura redonda de metal e vidro abriga o centro de eventos, projetado para sediar exposições. O desenho lembra um grande leque, um dos símbolos da cultura japonesa. Mas olhando de longe, o prédio parece um navio, meio de transporte utilizado pelo povo oriental para aportar no Brasil.