i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Acervo

Basta abrir um livro para passear pela história

Organização de coleções bibliográficas particulares guarda relíquias que transpõem as páginas das próprias obras. Toda essa relíquia está acessível para pesquisadores e estudiosos

  • PorDiego Antonelli
  • 25/10/2013 21:12
Biblioteca Norton Macedo guarda raridades, como a segunda edição de O Princípe publicada no Brasil e Terra e Gente do Paraná, de Romário Martins | Antonio More/ Gazeta do Povo
Biblioteca Norton Macedo guarda raridades, como a segunda edição de O Princípe publicada no Brasil e Terra e Gente do Paraná, de Romário Martins| Foto: Antonio More/ Gazeta do Povo

Biblioteca

Livros para dividir com o público

Enquanto algumas coleções literárias se perdem ou são vendidas a sebos, outras encontram uma nova "missão". É o caso dos 3 mil livros que pertenceram ao escritor Manoel Carlos Karam, que morreu em 2007. Autor de sete romances e 20 peças teatrais, ele ganhou em 1995 o Prêmio Cruz e Souza de Literatura com a obra Cebola. Após sua morte, a família doou o acervo à Fundação Cultural de Curitiba, que criou a Casa da Leitura Manoel Carlos Karam, localizada no Parque Barigui. A gerente das Casas da Leitura, Patrícia Wohlke, relata que a doação do acervo foi um "exercício de cidadania". "Dessa forma, os livros dessa imensa biblioteca que contém um acervo rico em literatura e história estão sendo compartilhados com as pessoas da comunidade", afirma. Grande parte do acervo está disponível no espaço para consulta local. Além dos 3 mil livros doados pela família de Karam, a Casa de Leitura conta com outros 1,5 mil volumes.

11 anos é o tempo que um leitor levaria para conferir todas as obras do acervo da biblioteca Norton Macedo. Isso levando em conta o improvável cálculo de que ele consiga ler uma obra por dia. De Ernesto Che Guevara a Jorge Amado, de Zélia Gattai a obras que tratam da vida de Napoleão Bonaparte, todo o material está disponível para consulta pública, mas não para empréstimos. "O acervo é muito importante para auxiliar pesquisadores e estudantes", salienta Elaine Vodelo, responsável pelo acervo.

Serviço

Os acervos citados na reportagem estão disponíveis para consulta local. Confira os endereços dos espaços, todos localizados em Curitiba:

Biblioteca Norton Macedo

Sediado no prédio do Sesc da Esquina, na Rua Visconde do Rio Branco, 969. Telefone: (41) 3304-2222.

Biblioteca Roberto Campos

Sediado na biblioteca da Universidade Positivo. Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza. Telefone: (41) 3317-3000

Casa da Leitura Manoel Carlos Karam

Rua Batista Ganz, 453. Telefone: (41) 3240-1101

A Biblioteca Norton Macedo é um dos raros espaços em que praticamente toda a história do Brasil está nas prateleiras. Localizado no primeiro andar da sede do Serviço Social do Comércio (Sesc) da Esquina, no Centro de Curitiba, o espaço conta com 4 mil livros que pertenceram ao ex-deputado federal Norton Macedo Correia, que morreu em 2010.

O acervo foi doado à Academia Paranaense de Letras e coube ao então presidente da instituição, Eduardo Virmond, colocar em prática o projeto em parceria com o Sesc. "Os livros vieram para cá por minha culpa. Eu que quis montar esse espaço para abrigar a quantidade imensa de livros que pertenceram a ele", afirma Virmond.

Uma prateleira está reservada para guardar perto de 1,2 mil livros que tratam somente da história do Brasil. Separadas por subtemas, as obras levam o visitante a conhecer o país desde seu "descobrimento". Os livros tratam da chegada ao Brasil dos portugueses, do período imperial, da República Velha, passando por Getúlio Vargas até a posse do ex-sindicalista Luíz Inácio Lula da Silva como presidente da República.

O material é tão vasto e precioso que o jornalista e escritor Laurentino Gomes usou diversos livros da Biblioteca Norton Macedo para a concepção de seu último livro – 1889. No entanto, não só da história brasileira vive o acervo. É possível encontrar obras literárias, filosóficas, sociológicas, e, claro, da história paranaense e também mundial.

Elaine Vodelo é uma das responsáveis pela biblioteca. Foi ela que organizou o espaço e fez a profilaxia das obras. Se um deles apresentasse infestações de traças, por exemplo, eram descartados. "Foram apenas 10 obras que não tiveram salvação", comenta.

Entre outras relíquias, há documentos da época em que Norton atuou em Brasília, nas décadas de 1970 e 1980 além de um exemplar da segunda edição de O Princípe, de Nicolau Maquiavel, publicado pela Editora Vecchi e um livro de 1944, Terra e Gente do Paraná, de Romário Martins.

Biografia

Amante da literatura e da história, Norton nasceu em Curitiba e foi deputado federal por três mandatos. Entre 1975 e 1983, era filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido político que apoiava o governo militar. No terceiro mandato, de 1983 a 1987, era representante do Partido Democrático Social (PDS), que deu continuidade à Arena após a abertura política no Brasil.

Ele também atuou como chefe de gabinete e secretário de estado no Paraná entre 1961 e 1965, durante o primeiro governo de Ney Braga. Entre 1994 e 1995, Norton foi presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado) e dos seus conselhos de administração.

Acervo guarda tesouros do economista Roberto Campos

Uma importante e rara coleção repousa no acervo da Biblioteca da Universidade Positivo. Em meio aos mais de 108 mil livros dispostos no espaço, cerca de 8 mil são tão especiais que merecem uma sala VIP. São obras que pertenceram ao acadêmico e economista Roberto Campos, morto em 2001.

O acervo está guardado em uma sala que tem o nome do ex-ministro, onde também estão expostos objetos pessoais cedidos pela família. São inúmeras condecorações e medalhas, além de uma carta redigida pela rainha da Inglaterra Elizabeth II, que está emoldurada em uma das paredes da biblioteca. A decisão de vender o acervo de Campos partiu da família, logo após sua morte.

A possibilidade de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do qual Campos era fundador, cuidar da biblioteca em regime de comodato foi cogitada. Mas as negociações não foram adiante. Na época, a biblioteca foi avaliada em R$ 200 mil, mas as cifras da negociação não são reveladas.

A coleção mostra o gosto eclético de Campos. Mato-grossense nascido em 1917, ele dispunha de inúmeras biografias, livros da literatura brasileira e estrangeira, dos ramos de sociologia, economia, história e filosofia.

Os livros, segundo a supervisora da biblioteca, Joelma Marques, não podem ser emprestados. "Mas podem ser consultados pela comunidade acadêmica e também por usuários que não estudem ou trabalhem na universidade", explica.

Muitas das obras que encantam os visitantes possuem dedicatórias. Livros com assinaturas dos escritores Zélia Gattai, Jorge Amado e Chico Anysio. Um detalhe que chama atenção na organização dos livros do ex-ministro.

Quem foi

Campos foi embaixador em Washington e em Londres. Participou, ao lado de Eugênio Gudin, do Encontro de Bretton Woods, que criou o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Coordenou as ações econômicas do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento e Coordenação Econômica durante o governo militar de Castello Branco após o golpe de 1964. Em um de seus livros, A Lanterna na Popa, fez uma autoavaliação da trajetória como diplomata, economista e parlamentar, descrevendo detalhes da convivência com John Kennedy, Margareth Thatcher, Castello Branco, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Jânio Quadros.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.