Apesar de o porcentual dos analfabetos funcionais (pessoas com menos de quatro anos de escolaridade, segundo o IBGE) ter registrado ligeira redução (0,6 ponto porcentual), o número ainda é elevado e significa 21,6% dos brasileiros com mais de 15 anos. No Nordeste, a taxa chega a 33,5%. A ligeira queda no analfabetismo mostra que o Brasil ainda tem muito a avançar. Projeções da Unesco mostram que, na América Latina e no Caribe, apenas países muito pobres têm índices maiores que o do Brasil. É o caso dos recordistas Haiti (37,9%) e Guatemala (26,8%). Mesmo países com renda média bem inferior à do Brasil têm desempenho melhor. Na Bolívia, a taxa de analfabetismo é de 9,7%. No Equador, 7,4%.
Aqui, apesar da melhora do número total em 2007, a taxa de analfabetismo não caiu nas faixas de 10 a 14 anos e de 15 a 17 anos. Entre os mais novos, o número de analfabetos passou de 3% para 3,1% do total. Na faixa de 15 a 17 anos, foi de 1,6% a 1,7%. Mas, na Região Nordeste, o analfabetismo entre as crianças de 10 a 14 anos aumentou 0,4 ponto porcentual (de 6,4% para 6,8%), assim como no Centro-Oeste (de 1% para 1,5%). No total eram 14,1 milhões de analfabetos.
O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, André Lázaro, acredita que a taxa de escolarização de 97% entre as pessoas de 6 a 14 anos já incorpora o ensino fundamental de nove anos. "O Brasil está criando uma geração escolarizada. É o que vai mudar o perfil educacional brasileiro, porque as ações na educação são de longo prazo", diz. Para ele, o analfabetismo "é um fenômeno adulto".



