
Brasília - A renda média do trabalhador brasileiro cresceu. A concentração de renda diminuiu. Subiu o número de trabalhadores com carteira assinada. E a quantidade de trabalhadores que contribui para a Previdência aumentou. A divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, veio recheada de boas notícias sobre o bolso dos brasileiros.
Segundo os dados apresentados, a renda média do trabalhador chegou em 2007 a R$ 960 por mês. O índice, 3,2% maior do que o do ano anterior, ajuda a recuperar perdas que os brasileiros registraram em anos anteriores. Mas, apesar da melhora, o trabalhador ainda não atingiu os resultados de 1997, quando a renda média no país era de R$ 1.011.
A concentração de renda um dos mais graves e duradouros problemas do país diminuiu um pouco. Os 10% mais pobres continuam no mesmo patamar dos anos anteriores: detêm 1,1% dos rendimentos do país. Os 10% mais ricos, porém, perderam um pouco de sua imensa fatia. Em 2006, eles tinham 44,4% da renda do Brasil. Em 2007, esse número passou para 43,2%.
No Paraná, porém, a concentração aumentou. O índice de Gini, que mede o grau de desigualdade na distribuição da renda, varia entre 0 (quando não há desigualdade) e 1. Em 2007, o estado registrou índice de 0,533. Em 2006, o resultado havia sido melhor: 0,524.
Para o economista José Guilherme Silva Vieira, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Positivo (UP), pode-se dizer que existem vários Paranás. O Índice de Desenvolvimento Humano do estado é alto, comparável a de países ricos. O bom número, porém, é impulsionado pelo desenvolvido de regiões como Curitiba e Londrina. "Em algumas localidades do estado o índice de desenvolvimento é comparável a do Nordeste", disse.
Trabalho
A formalização do trabalho se intensificou em 2007, com alta de 6,1% no número de pessoas empregadas com carteira assinada. Em 2007, 32 milhões de trabalhadores brasileiros tinham carteira assinada, o que equivale a 35,3% da força de trabalho do país. O crescimento da taxa acelerou na comparação com os dois anos anteriores.
* * * * *
Diferenças
Os resultados da Pnad mostram aumento da inserção feminina no mercado de trabalho, mas ainda sem equiparação da renda. Veja os dados:
Menor
Em 2007, o rendimento feminino representava 66,1% do rendimento masculino. Em 2004, esse percentual era de 63,5%. Segundo o IBGE, a maior diferença porcentual foi registrada entre os trabalhadores por conta própria.
Domésticos
A diferença de rendimento aparece entre as diversas formas de ocupação. A remuneração dos trabalhadores domésticos do sexo masculino em 2007 era de R$ 447 e a das mulheres, de R$ 324.
Patrões
Mesmo entre os empregadores, os homens obtêm rendimentos maiores: R$ 3.038 contra R$ 2.356 entre as mulheres.
Menos horas
Para a pesquisadora Lena Lavinas, da UFRJ, o resultado precisa ser relativizado, porque as mulheres trabalham em média menos horas do que os homens.



