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Câmara dá aval para pais solicitarem internação de menores dependentes químicos

Câmara dá aval para pais solicitarem internação de menores dependentes químicos
Projeto foi apresentado pelo deputado Pastor Sargento Isidório. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (28) um projeto de lei que garante aos pais ou responsáveis legais o direito de pedir a internação de crianças e adolescentes dependentes de substâncias químicas em comunidades terapêuticas.

A votação foi simbólica, ou seja, sem o registro nominal dos votos. A proposta contou com o apoio da bancada evangélica. O texto vai ao Senado. De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o PL 1822/24 foi aprovado na forma do substitutivo do relator, Dr. Fernando Máximo (PL-RO).

Isidório reforçou que as comunidades terapêuticas não são "manicômios" e que a legislação atual, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não previa a dimensão atual do consumo de drogas entre jovens.

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O relator argumentou que a internação é uma medida excepcional e que o projeto valoriza a família como suporte central no tratamento. O acolhimento deverá ocorrer de forma conjunta com os pais ou responsáveis legais em instituições devidamente credenciadas.

A criança ou adolescente deve continuar frequentando a escola básica, exceto em casos de ameaça comprovada à sua integridade física por organizações criminosas.

Nessas situações excepcionais, o ensino poderá ocorrer dentro do próprio estabelecimento terapêutico. As instituições que oferecerem esse serviço precisam cumprir requisitos de estrutura, como:

  • Dispor de equipe técnica multiprofissional (saúde e assistência social);
  • Possuir estrutura física de aspecto residencial e familiar, com áreas de lazer, cultura e esportes;
  • Garantir a separação física obrigatória entre menores e adultos, especialmente em alojamentos e sanitários. Na impossibilidade de separação, a presença constante de monitores ou responsáveis é exigida.

Novas modalidades de internação

A proposta altera a Lei 11.343/06 (Lei de Drogas), introduzindo dois novos tipos de internação sem tempo máximo de permanência especificado:

Assistida: Requer o consentimento dos pais e a concordância do adolescente (12 a 18 anos). Diferencia-se da modalidade atual por não exigir declaração escrita nem vincular o término explicitamente a laudo médico.

Voluntária (Nova definição): Ocorre a pedido dos responsáveis ou autoridade administrativa, sem necessidade de anuência do menor, desde que haja laudo médico atestando risco à sua integridade física. Esta modalidade assemelha-se à internação involuntária atual.

Além disso, o fluxo de informações foi alterado para que as internações e altas sejam comunicadas ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público. O deputado Eli Borges (Republicanos-TO), vice-líder da oposição, reforçou a necessidade de internação compulsória em casos extremos.

"O cidadão que está na fissura, naquele momento em que está dominado pela droga, não é senhor da própria vontade. Ele não sabe nem o que está fazendo muitas vezes. Aí é preciso interná-lo mesmo que ele diga que não quer, para que possa haver um período de tratamento químico para que a vontade dele se restabeleça", disse.

Base do governo criticou proposta

Contudo, a base do governo criticou a medida, defendendo que o foco deveria ser o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

"Se nós vamos ampliar de R$ 2,6 bilhões para, depois de 4 anos, R$ 19,6 bilhões, é justamente para fazer política pública, fortalecer o Sistema Único de Assistência Social e enfrentar com profissionalismo, que demanda a complexidade de pessoas com dependência", afirmou o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC).

Para o líder da federação PSOL-Rede, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), o projeto abre uma brecha para a internação compulsória, informou a Agência Câmara.

"Não se implementa a política que deveria se implementar nos CAPS e nos CAPS Álcool e Drogas, no atendimento dos consultórios de rua, na política para o uso abusivo de drogas, cria-se um pânico moral e se resolve com uma saída punitivista, internatória, a fim de recuperar a lógica manicomial, que a gente varreu da saúde mental", criticou Motta.

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