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Adelino Cabral e seu “Tubarãozinho”, de 1976: comerciante diz que só usa o carro no bairro, porque não tem condições de pegar a rodovia | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Adelino Cabral e seu “Tubarãozinho”, de 1976: comerciante diz que só usa o carro no bairro, porque não tem condições de pegar a rodovia| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Quanto mais velho, mais poluente

A idade da frota influi diretamente na quantidade de poluição emitida. Nos últimos anos, a indústria automobilística se adequou às exigências ambientais. Um carro fabricado em 1986, por exemplo, emitia 54 gra­mas de gás carbônico por quilômetro rodado. Hoje, essa emissão diminuiu para 0,3 gramas. As informações foram re­­passadas pela coordenadora do curso de bacharelado em Quí­­mica pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Eli­za­beth Weinhardt Scheffer. Ela ressalta que os fabricantes conseguiram reduzir em até 90% a emissão de poluentes.

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Inspeção reduziria problemas

O novo Código de Trânsito Bra­sileiro, em 1997, trouxe a exigência da inspeção veicular anual obrigatória para todos os veículos em circulação. A inspeção checaria itens de segurança e níveis de poluição. Quem não estivesse em dia seria descartado. A lei não foi regulamentada e, portanto, os estados ainda não são obrigados a cumpri-la.

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Chevette 76 obriga dono a ser mecânico

O Chevette 76 anda preferencialmente pelas ruas do Jardim Los Angeles, às margens da PR-151, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, mas, quando o dono precisa, estica uma viagem até Carambeí, a 15 quilômetros, para uma pescaria. Apelidado de Tubarãozinho, o carro foi comprado há cerca de quatro meses pelo comerciante Adelino Pedro Cabral, 56 anos. Cabral é um dos 382.684 mil proprietários de carros com mais de 30 anos de fabricação no Paraná.

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Ponta Grossa - O número de carros aumenta cerca de 8% todos os anos no Paraná. Mas nem só de carros novos vive o trânsito do estado. A cada 5 veículos, 1 tem mais de 20 anos de fabricação. O pagamento parcelado em até 80 vezes e a redução do Imposto sobre Produtos Indus­trializados (IPI) não garantem a renovação da frota. Especialistas apontam que as principais causas são a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículo Automo­tor (IPVA) para carros velhos e a demora do governo brasileiro em aprovar a inspeção veicular, que poderia tirar das ruas os carros sem condições de circulação.

Segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), dos 4.683.631 veículos registrados em 2009 no estado, 1.064.914 saíram da fábrica há mais de 20 anos. No Brasil, conforme o último levantamento da Federação Na­­cional da Distribuição de Veículos Automotores (Fena­brave), a idade média da frota brasileira é de 13,2 anos. O presidente da federação, Sérgio Antonio Reze, lembra que a frota é uma das mais antigas do mundo.

Carro novo

Na década de 90, o governo apostou nos carros populares, mais baratos, para renovar a frota. Eles saíam de fábrica com motor 1.0 e sem acessórios. Recentemente, as concessionárias ampliaram os financiamentos para até 80 parcelas. Para amenizar os efeitos da crise nas montadoras, no ano passado o governo reduziu o IPI nos veículos novos.

O resultado foi um recorde de vendas. Segundo a Fenabrave, foram emplacados no Brasil, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, 692.228 veículos, entre carros de passeio, caminhões e motos. O aumento, comparado ao mesmo período de 2009, quando houve o emplacamento de 639.523 unidades, foi de 8,2%. O Paraná seguiu o mesmo ritmo, com um ligeiro aumento sobre o índice nacional. Foram 45.742 veículos novos em circulação, contra 42.034 do mesmo período do ano passado, ou seja, um salto de 8,8%. "A nossa frota é uma das mais antigas do mundo porque o país tem dificuldade em fazer a sua substituição, mas ela vem diminuindo, isso é matemático, na medida em que se aumenta o volume de vendas de carros novos", acredita Reze.

Manutenção

Independentemente da idade do carro, o importante é mantê-lo em dia. O professor de treinamento profissional do Serviço Social do Transporte (Sest/Senat) de Ponta Grossa Geraldo Camargo diz que os riscos diminuem à medida que o proprietário mantém a mecânica, a iluminação e os pneus regulados, além de seguir as determinações do fabricante referente à troca de itens e até mesmo de motor.

O coordenador de Veículos do Detran-PR, Cícero Pereira da Silva, admite que na maioria dos casos essa manutenção preventiva não é feita. "De modo geral, os donos de carros velhos não se enquadram nessa situação. Muitos estão rodando em condições precárias", considera.

IPVA

No Paraná, os carros com mais de 20 anos de fabricação não pagam IPVA. Em outros estados, a situação se repete, embora com períodos diferentes para critério de isenção. Os únicos pagamentos são do licenciamento anual e do seguro obrigatório. Quando são parados em blitzes, os veículos antigos precisam apenas apresentar essa documentação. "Até uns 10 anos atrás era um problema constante, mas hoje se reduziu drasticamente. Eu acho que os carros velhos circulam mais na zona rural, onde não há fiscalização", aponta o tenente Silvio Cordeiro, da comunicação social do Ba­­talhão de Policiamento de Trânsito de Curitiba. Mas, quando um carro velho cai numa blitz, os principais problemas verificados são pneus carecas, falta de iluminação e de equipamentos obrigatórios de segurança.

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Interatividade

O governo deveria manter a isenção de impostos para carros com mais de 20 anos?

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