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Patrimônio

Centro histórico de Paranaguá é tombado

Cidade é atendida após 16 anos. É o segundo município do estado a ter o título

  • Pollianna Milan
Rua da Praia: maior concentração de palacetes e casarios do período colonial |
Rua da Praia: maior concentração de palacetes e casarios do período colonial
 
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Centro histórico de Paranaguá é tombado

Demorou uma década para que o Paraná conseguisse elevar mais uma de suas cidades históricas ao reconhecimento nacional: ontem pela manhã, em Minas Gerais, Paranaguá recebeu oficialmente o título de centro histórico tombado pelo patrimônio federal. Antes, apenas o município da Lapa, entre os 399 do Paraná, estava na lista do Ins­tituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A Lapa foi tombada em 1998.

A dificuldade para conseguir tombar um sítio urbano em âmbito nacional é grande. O pedido de Paranaguá foi protocolado em 1983. “O fato de não ter o tombamento não significa que a cidade estava desprotegida. Paranaguá tem imóveis tombados (pelo estado) desde 1938 e, na década de 60, foi criado o plano diretor do município que considerava a região como área de proteção”, afirma o superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina Filho. A demora ocorre, porém, porque o país tem muitas cidades que resgatam a história do povo brasileiro, por isso a disputa pelo título é acirrada, o que faz com que as mais antigas tenham sempre prioridade. As regiões brasileiras com o maior número de tombamentos são Sudeste (24) e Nordeste (23). O Sul tem apenas seis sítios urbanos reconhecidos. “A urbanização no Sul do país aconteceu mais tarde, por isso os imóveis são mais ‘modernos’ sob o ponto de vista histórico. Nem por isso, menos importantes”, diz La Pastina. O próximo passo, segundo o superintendente, é protocolar um pedido para que Antonina receba o título.

O tombamento nacional significa um reforço financeiro à cidade para que os imóveis históricos sejam conservados. Algumas casas antigas, principalmente particulares, estão abandonadas porque custava caro aos proprietários pagar uma reforma por conta própria.

Além disso, Paranaguá recebeu R$ 5 milhões de verbas do PAC Cidades Históricas, em outubro deste ano – o dinheiro será usado para fazer o aterramento dos fios de energia elétrica. O prefeito da cidade, José Baka Filho, pediu ainda ao Iphan auxílio financeiro para conseguir concluir a desapropriação do Clube Republicano. “A ideia é transformar o local em uma sede do Iphan. Queremos usar o espaço também para o público da terceira idade”, diz Baka.

O prefeito lembrou que o Porto de Paranaguá irá receber um pier para navios de cruzeiro, o que também deve ajudar a fazer com que a cidade seja mais atrativa para o turismo. Com o objetivo de comemorar o tombamento, Baka anunciou que irá premiar, uma semana antes do carnaval 2010, a banda que criar a melhor música (pode ser marchinha de carnaval ou samba de raiz) que tenha como repertório os bens tombados da cidade ou que conte a história de Paranaguá.

459 anos de história

Os primeiros registros históricos de Paranaguá são de cerca de 1550, na Ilha da Cotinga, onde há indícios dos colonizadores. Em 1658, a Ata da Câmara re­­gistrou a construção de um compartimento abobadado e de uma bica de pedra na fonte de água da cidade. Nesta época, o núcleo urbano estruturava-se nas imediações da atual Igreja Matriz e da Fonte Velha. No fim do século 17, chegaram os padres jesuítas que receberam autorização para construir um convento na entrada da vila – em seguida, começaram a construção do colégio jesuíta, que não foi concluída. A regulamentação da vida urbana na vila foi definida em 1721.

Paranaguá tem diversos imóveis de interesse histórico, entre eles as igrejas de São Benedito e de São Francisco. É uma das únicas cidades brasileiras que conserva o pelourinho e a igreja que foi usada exclusivamente pelos negros escravos. Destacam-se, no centrinho histórico, sobrados e moradias típicas de quem detinha o poder econômico (o pavimento térreo era usado para o comércio). O tombamento vai preservar o núcleo mais antigo, partindo da Igreja de São Benedito até a Rua Visconde de Nácar, além da antiga Rua da Praia.

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