Uma análise cuidadosa dos principais lapsos de pontuação evidencia que um bastante frequente envolve a conjunção "mas" em frases como estas: 1) Neymar não foi convocado por Mano Menezes, mas SEGUNDO O TÉCNICO, o craque continua nos seus planos. 2) O novo carro da Ferrari só será testado no próximo mês, mas ENQUANTO ESPERA PELA NOVIDADE, Felipe Massa se diz feliz com o atual. 3) Os candidatos prometerem investir fortemente na educação, mas PARA A MAIO­­RIA DOS PRESEN­­TES, não ficou claro de onde virão os recursos.

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Nos três exemplos, a conjunção "mas" assinala um contaste entre dois fatos: Neymar não foi convocado = Neymar continua nos planos de Mano Menezes; O novo carro da Ferrari não foi apresentado = Massa está feliz com o atual; Os candidatos prometeram investir na educação = Eles não mostraram como. Acontece, porém, que logo após o "mas", que deveria estar soldado ao segundo elemento de frase, há uma informação complementar que bloqueia essa ligação. Podemos ver isso de forma mais clara se voltarmos mais detidamente à primeira frase: Neymar não foi convocado por Mano Menezes, MAS continua nos seus planos. Aqui a conjunção estabelece uma relação direta, sem intermediários, entre as duas partes da frase. Caso adicionemos mais uma informação após o "mas", devemos isolá-la com duas vírgulas. Desta forma: Neymar não foi convocado por Mano Menezes, mas, SEGUNDO O TÉCNICO, o craque continua nos seus planos.

Caso o leitor tenha a curiosidade de procurar lapsos dessa ordem em jornais, revistas, livros etc., encontrará muitos. Muitos mesmo. Então fica a dica: informações complementares devem ser isoladas por duas vírgulas. Nos três exemplos apresentados no primeiro parágrafo, há apenas a segunda vírgula. Aí a frase fica "manca".

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