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Muitas colunas atrás falei das expressões "risco de vida" e "risco de morte" (Nilson não corre risco de vida). Volto ao assunto porque um leitor , assim como todos nós, tem ouvido nos telejornais e lido nos jornais a expressão "risco de morte" e pergunta se é uma forma correta. A resposta é sim. Tanto "risco de vida" quanto "risco de morte" são construções legítimas. O problema é a justificativa que levou a maioria dos jornais e telejornais a adotar a expressão "risco de morte" como padrão, justamente a menos usada pelos brasileiros. Trata-se de uma história que causa certa preocupação porque diz respeito à forma como alguns profissionais se informam acerca da nossa língua.

A justificativa, vale lembrar, é a seguinte: é errado dizer "risco de vida" porque, tecnicamente, ninguém corre risco de viver, mas sim de morrer. Lógico que isso é uma tremenda bobagem. Quando dizemos "risco de vida", estamos dizendo "risco de perder a vida". O uso consagrou a expressão e não há a menor possibilidade de um falante entender outra coisa senão essa. Se dissermos a um colega que o pai dele corre risco de vida, ele não vai ficar em dúvida quanto ao delicado quadro de saúde do pai.

Caso levemos a sério a explicação para não se usar "risco de vida", também jamais poderíamos usar "risco de morte" – ou "risco de morrer", expressão já bastante usada. Os próprios jornais e telejornais todos os dias trazem notícias de pessoas que, em perfeito estado de saúde, foram vitimadas por balas perdidas, acidentes de automóveis, mordidas de cães etc. Todo mundo sabe que viver é muito perigoso. Todo mundo sabe que são demais os perigos dessa vida. A morte é a regra que não admite exceção.

Portanto, se um jornalista disser que fulano não corre risco de morte, está mentindo; se disser que ele corre, está dizendo o óbvio.

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