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Adilson Alves

Vestíbulo ou prostíbulo?

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A raiz da palavra vestibular guarda o sentido de "entrada". O dicionário Houaiss nos explica que ela deriva de "vestíbulo", pátio ou pórtico exterior que dá acesso à entrada principal de uma construção. Portanto, se nos guiarmos apenas pela etimologia do vocábulo, o vestibular deve ser compreendido como uma espécie de passagem para um mundo maior, no caso específico, para o ensino superior.

Por mil e um motivos que vão além do que cabe nesta coluna, o vestibular passou de modesto pórtico ao próprio mundo a ser explorado. Passou a ser, em outras palavras, a própria construção. Um dos resultados dessa inversão pode ser ilustrado com um dilema vivido por muitos estudantes do nosso estado que fizeram a segunda prova do Enem. A dúvida de muitos é se deviam ou não fazer a prova de redação. A explicação é simples: a UFPR não considera a nota da redação para compor a soma de pontos dos vestibulandos. Então por que perder tempo, né? Por esse raciocínio, se a Federal não cobrasse literatura, por que perder tempo lendo Machado e Graciliano?

Até parece que a leitura de clássicos como esses é um dever, uma obrigação. Bobagem: trata-se de um direito. Uma leitura bem feita de Machado vale por quinhentas mil leituras extremamente bem feitas da maioria dos livros que aparece na lista do mais vendidos. Um texto em que o aluno demonstre capacidade de reflexão e no qual consiga expressar seu ponto de vista e defendê-lo com argumentos coerentes não é dilema: é obrigação. Se o vestibular não exige isso, que se dane a instituição examinadora.

O grande mundo, na verdade, é a educação básica. E ela não deve ser entendida como uma reles passagem para um suposto mundo maior, mas sim como a grande construção de nossas vidas. Muitos conteúdos que estudamos não caem no vestibular, mas são cobrados no mundo real.

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