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Quem nunca pensou como a vida seria mais fácil se tivesse uma máquina de fazer dinheiro em casa? Precisa quitar uma dívida? Põe a maquininha para funcionar. Quer comprar algo fora do orçamento? Gire as engrenagens para extrair notas de R$ 100 novinhas em folha. Obviamente, a posse de tal mecanismo é uma ilusão. Não se produz valor sem trabalho. E, se por acaso a traquitana for construída, trata-se inevitavelmente de um golpe: a falsificação de moeda.

O problema é que a única máquina oficial de fazer dinheiro, à disposição do Estado, exerce forte tentação sobre os governantes. É o caminho fácil para resolver problemas. Por muitas décadas, os governos giraram as manivelas para produzir moeda quando estavam em dificuldades. Isso inundava a economia de dinheiro e produziu a hiperinflação da década de 1980.

Hoje, a máquina funciona de forma diferente, por meio do aumento de impostos. Neste momento em que o país está com a economia estagnada, essa é a solução fácil a que os governos dos três níveis – municipal, estadual e federal – estão recorrendo ou vão recorrer para sanear suas dificuldades de caixa.

A prefeitura de Curitiba quer reajustar acima da inflação o IPTU e o ITBI (o tributo que incide sobre a venda de imóveis). O governo do Paraná vai aumentar o IPVA e taxar os servidores aposentados. Na esfera federal, já se começa a discutir a volta da CPMF. Especula-se ainda que a Cide (o imposto sobre combustíveis) voltará e que vai haver o reajuste de alíquotas de outros tributos cobrados pela União.

Mas o fato é que o reajuste de impostos é a produção artificial de dinheiro para o Estado. Como não há geração de riqueza porque a economia está parada, a solução é claramente ilusória. A salvação dos governos virá necessariamente do empobrecimento da população, já que a renda não está crescendo. Pouco ou quase nada se discute sobre aquilo que poderia produzir valor para o Estado sem exigir elevação da carga tributária: mais eficiência nos gastos públicos.

Pode-se dizer ainda que à ilusão proporcionada pela máquina de dinheiro governamental soma-se uma farta dose de dissimulação – no caso, do marketing eleitoral. O país acaba de passar por eleições para governos estaduais e para a Presidência. Em nenhum momento os eleitos expuseram, durante a campanha, suas reais intenções. Pelo contrário, costumavam negar que tomariam medidas amargas e anunciavam que o melhor estaria por vir. Quem votou num projeto governamental acabou colhendo outro.

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