• Carregando...

Quando Ney Braga era governador do Paraná, o general Sizeno Sarmento, então chefe do Gabinete do ministro do Exército general Costa e Silva, telefonou e pediu que ele viajasse a Brasília e levasse o cel. Ítalo Conti, que era o secretário de Segurança do Paraná.

No aeroporto do Rio um carro do Ministério os esperava e os levou direto ao gabinete do Costa e Silva, onde estava também o cel. Mário Andreazza. Nenhum dos dois sabia o motivo do convite.

Ney Braga foi instado pelo Costa e Silva:

– Se houver eleição geral quem ganhará para a Presidência da República?

Ney respondeu:

– Ganha o Juscelino!

Sizeno comentou:

– Está vendo Andreazza! Temos de cassá-lo!

A conversa aconteceu nos fins de 1964.

A fome do Augusto José – Depois de uma semana de gripe forte, o neto do Patrício Caldeira de Andrada, Augusto José, o Guto, 2 anos e meio, sem disposição para se alimentar, achou uma maneira singular de recusar a comida que lhe era oferecida. De tanto escutar que estava febril, colocava a mão na própria testa e enrolando um português próprio para sua idade, terminava dizendo bem claro:

– Estou com "febe"!

Num domingo, família reunida, mesa posta, o Guto finalmente correu para os braços da avó, Carolina, dizendo que estava com fome. Neto no colo, a feliz vovó começou a preparar o prato, perguntando:

– O Guto quer carne? Ele responde:– quer! Ela perguntou ainda se ele queria arroz, feijão, cenoura etc., e ele concordava.

Prato pronto, o guri pediu:

– Vó, põe farinha. E foi atendido.

Mas ao ver a colher cheia vindo em sua direção, Guto olhou para a avó e saiu-se com esta:

– Agora come você, vó!

Na época das floradas – O médico Zenon Herrera, especialista em medicina do trabalho, hoje aposentado, contou numa das reuniões da confraria da Toca do Tuca, no Clube Curitibano, uma passagem hilária com uma viúva de um agricultor de café.

Se há uma boa florada é sinal de que haverá boa colheita, mas, leiga no assunto, ela ainda não conhecia bem os termos empregados pelos seus colegas e, numa reunião de cafeicultores, um deles indagou:

– Com a sra. foi de florada?

– Pelo método tradicional!

A fama de Pelotas – A cidade de Pelotas ganhou fama nos velhos tempos pelo esnobismo de seus moradores, em se vestir com elegância e tratar com reservas e arrogância, especialmente os representantes comerciais de outros estados. Estes saíam de lá chamando-os "aqueles almofadinhas de nariz empinado". A história registra que era uma cidade rica, daí o apuro de seus visitantes no vestir, comer e beber produtos europeus chegados em navios.

Pois o curitibano Acir Vianna foi lá com a esposa, anos atrás, e hospedou-se no Hotel Curi, recém-inaugurado. No jantar, foi abordado pelo dono e o Acir indagou se ele era Curi e ele confirmou.

– O sr. tem parentes em Curitiba? Lá tem muitos Curi? Ele disse que não, e a esposa do Acir perguntou:

– O sr. é parente do cantor Ivon Curi?

– Me poupe, minha senhora, pois já carrego a cruz de ser pelotense.

O caudilho erudito – Oswaldo Caldart, que foi industrial em Pato Branco, conta que, em seus tempos no Rio Grande do Sul, um dos caudilhos de Passo Fundo, tido e havido como muito sabido, foi instado por um matuto onde era a "Oropa".

– Sou sincero não sei ao certo, mas a saída é aqui pelo quartel, e é depois de um "sangão" que chamam de Oceano Atlântico.

Caldart traduz, para quem não sabe o que é sanga: um pequeno riacho.

Lavalle e os cachorros vadios – Depois de anos sem vê-lo, encontrei o Joel Rondinelli, muito elegante, que anos atrás era dono das lojas de roupas Mendes. Joel lembrou dos velhos tempos e, em particular, do publicitário e tenor Humberto Lavalle, uma figura muito popular em nossa capital.

Conta o Joel que o Lavalle, na época presidente da Sociedade Protetora dos Animais, passava com dois amigos defronte às Lojas Americanas, quando viu três cachorros vadios perambulando por ali, comentou:

– Eles estão perambulando porque estão com a mensalidade atrasada...

Leitoa a pururuca

Prefira a leitoa, pois o leitão, quando não é castrado, tem um cheirinho forte. Peça ao açougueiro que separe o pernil, a paleta e o carré. Calcule sempre de meio a 1 quilo por pessoa, pois se você convidar alguns comilões, e como as peças têm osso, é bom se prevenir. Aí vai uma sugestão da receita. Tempere de véspera com azeite de milho, sal a gosto(mais ou menos uma colher de sopa rasa por quilo); pimenta malagüeta ou do reino, suco de 3 limões. Para quem gosta recheie com fatias de alho.

Asse no forno ou na churrasqueira, em fogo médio, mais ou menos por 2 horas. No caso de assar no forno, depois de assado, retire a gordura da forma e a coloque numa frigideira. Esquente bem e retire as peças do forno e aplique a gordura no couro para deixá-lo pururuca. Quando assar na brasa, e sentir que está assado, baixe o espeto com o couro para baixo, num fogo forte que aí ele vai pururucar.

O publicitário Aldo Malucelli, um dos meus seis filhos, que está se especializando na degustação de vinhos, sugere para acompanhar o vinho argentino San Pedro Yacochuya, que é distribuído pela Adega Vino, dos nossos amigos Raphael Zaneti e Hussein Zraik.

***

A coluna é dedicada ao competente e destacado jornalista Deonílson Roldo, secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de Curitiba.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]